domingo, 29 de abril de 2012

AVISO:

No próximos  meses este  blogue ficará calado. Uns projectos para acabar.
Estou, talvez, receptivo a convites para colaboração noutras casas,  o que sempre exige menos presença diária.

A VIDA COMO DEVIA SER (XII):

Se o desejo é a distância tornada sensível ( Blanchot),  suponho a separação como o desejo  tornado insensível. E o que acontece  quando a separação é forçada?
Será  a insensibilidade à distância, arrisco.

sábado, 28 de abril de 2012

FOI SÓ ESPERAR:

Um bocadinho para registar que os novos governantes começaram  a usar o linguajar do novo paradigma. A única diferença  reside no silêncio dos que dantes, no tempo de Sócrates,   se riam com este dialecto.
Os analistas políticos são  a trupe residente do circo de pulgas.
A EXPLICAÇÃO HABITUAL:

Nasceram em bairros problemáticos, não tiveram pai nem  Nestum com figos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

NÃO ADIANTA:

Porque já  não há jornalistas,  só comissários políticos.
TEORIA (XX):

Cristovam Pavia, vulgo Francisco  Bugalho. Outra vez.
No último número trouxe Corazzini, que trabalhou entre os 17 e os 21 anos. Pavia, diz Fernando Martinho ( o organizador da edição completa), atingiu a maturidade aos 19 anos.  Ambos tiveram mortes doentes e dolentes.
Pavia, como Corazzini,  é um deprimido profissional. Na "Consolação para um tempo incerto":

Há-de haver sempre meninos a chorar ao pé do cão morto.

A sua  poesia  domina, no entanto, o temple certo. Quase nunca descamba para a autocomiseração, porque escolhe a síntese, evitando que o poema  pareça um garrafão de azeite. Por exemplo, uma tangente bem tirada:

Ter meus dias sempre cinza.
Desfolhar sempre as mesmas flores cansadas.
Dormir.


QUE NOME  TENEBROSO:

Se houver récita, ainda mais tenebroso. Pobre poesia.
E  Isto é ainda pior: como dizia Kraus, ouvir um poeta é como ver um cozinheiro comer.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"DIANTE DE CENTENAS DE PESSOAS"*:

Já se sabe que sempre que a direita está no poder não há legitimidade. É um clássico.
Sabemos  agora que os burgueses preocupados com  Abril em perigo não resistem a uns pingos de chuva. Só que já lá vai o tempo em que a política portuguesa era decidida  por meia dúzia de lunáticos lisboetas que dedicavam  a abriladas, vilafrancadas, belenzadas  etc.
E se o tempo teimar em chegar, a gente apressa-o.

* Impagável, a TSF não refere "as centenas de pessoas" nos seus noticiários. Já na descrição  de um encontro  com Cavaco, a jornalista ( enfim...) não se esqueceu de sublinhar: "A chuva afastou  as pessoas e foram poucas as que se dirigiram a Belém".
FASCÍNIO:

Pelos vira-casacas. Como Baudelaire tinha pela bêtise
Ontem vi Mário Crespo, outrora  adepto da fractura e da discussão sem tréguas, no seu telejornal,  sorumbático e preocupado com a falta  de coesão  produzida pela birra dos abrilistas .
A RELIGIÃO CIVIL E O DINHEIRO:

Como recorda  Otelo ( Alvorada em Abril, pp 127-136), o movimento dos capitães nasceu  do decreto-lei 353/73. Os oficiais do QP foram ultrapassados pelos  milicianos em soldo e regalias e assim a guerra não vali a apena. O resto da  história ( também)  é conhecido.
O  conteúdo fantasmático de Abril  assumiu este ano , e definitivamente, o estatuto de religião civil ( como a arte nas antigas cidades helénicas). Sempre houve sinais  - quem não se recorda da caça. noutros anos, a quem não levavava o cravo vermelho na lapela para as  cerimónias na AR? -, mas agora há presença.
O que estimulou mais, este ano, os sacerdotes de Abril, como no passado estimulou os capitães -  foi o dinheiro. Parece estranho mas não é. Num Portugal  de spa's, BMW's a pataco e férias em Varadero, os sacerdotes teriam muita dificuldade em acordar o pressuposto cripto-messiânico de Abril. Num Portugal amordaçado, a memória de um golpe administrativo transformado numa  incubadora de teóricos marxistas e Che's de ceroulas, tem muitas hipóteses de sobreviver.
Borges perguntava , sempre que o informavam,  se  dada  revolução  tinha bandeira e chefes políticos. Quando lhe diziam que sim, ele respondia que então não era uma revolução. É uma religião civil, acrescento.