sábado, 31 de dezembro de 2011

SEM COMPLEXOS LÉSBICOS NEM TRALHA LGBT.
ALDRABÃO ESTUFADO:

Compra um a meio da campanha. Nessa altura já está gordo e pia grosso. Leva-o para casa com cuidado, não o ouças, não vá o bicho convencer-te de  que és o rei da Polónia.
Coloca-o na mesa da cozinha. Começa pelo rótulo: "Gente moralmente superior". Lê as  pequeninas: " É possível viver melhor". Não ligues. Pega numa japonesa e abre-o ao meio. Tira-lhe os boys ( uma espécie de fel, como  o da lampreia, mas mais viscoso). Sempre com atenção, procuras o rabo do animal e cortas os parasitas que se lhe agarraram:  os mesmos que ainda ontem o amaldiçoavam tiveram tempo  de apanhar boleia.
Enfia o aldrabão no forno sobre um tabuleiro seco que lábia já ele tem de sobra. Fogo lento, muito alho e carqueja, para a alimária pagar as dívidas ao criador.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

ASSIS PACHECO:

O país mete dó
guarda o último tesão 
para mandares 
meia dúzia de canalhas à tábua.
"NÃO VI NINGUÉM MORRER":

A defesa do assassino é um intervalo de cegueira num campo de lucidez. Quis matar sem ver morrer, como quem bate sem sentir a dor de quem leva. Todos os carrascos assinam este protocolo. Nas revoluções do povo, ou nas limpezas globais,  o destino eram, e são, olhos vendados, costas voltadas e cabeças que rolam para  a frente.
A lucidez, coralífera  e banal, submerge toda a história: existes para ser minha, eu sou  a vida e, portanto, a morte.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

A PASSADA E UMA HOMENAGEM.
 CANTILENA:

Se te morre um filho ainda és pai e mãe
se te morre um marido ainda és mãe e avó
se te morre um irmão ainda és irmão e cunhado
se te morre  um amigo ainda és amigo.
Não há fardo, só corrença.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

LER. CHORAR.
"SEMPRE GOSTEI MUITO DE JUDEUS, O PROBLEMA É  ISRAEL" (I):

"O ódio do czarismo voltou-se sobretudo contra os judeus. Por um lado, estes forneceram uma percentagem particularmente elevada (em relação ao número total da população judaica) de dirigentes do movimento revolucionário. Repare-se, a propósito, que também hoje o número de internacionalistas entre os judeus é relativamente mais elevado do que entre os outros povos. Por outro lado, o czarismo sabia muito bem explorar os preconceitos mais infames das camadas mais incultas da população contra os judeus para organizar, se não mesmo para dirigir ele próprio, pogromes (contaram-se então em 100 cidades mais de 4000 mortos e mais de 10 000 mutilados), esses monstruosos massacres de judeus pacíficos, das suas mulheres e crianças, essas abominações que tornaram o czarismo tão odioso aos olhos do mundo civilizado. Estou a referir-me naturalmente aos membros verdadeiramente democráticos do mundo civilizado, que são exclusivamente os operários socialistas, os proletários".

VARIAÇÕES A PARTIR DE EUBULIDES:

Uma vez que ainda tens
tudo o que não perdeste,
e não perdeste um par de cornos
ainda o tens.
É  mortal se aplicado à vergonha,
razoável se aplicado à virgindade,
dúbio se aplicado à inveja.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

TEÓGNIS:

Frederico Lourenço ( Cotovia 2006) parte da versão de Gerber para, numa  introdução curta, referir o amor homoerótico e a inovação política na poesia de Teógnis. Diria mais aforística, pois o leitor avisado reconhecerá muitos filhos nas máximas do grego: Gracian, Pascal, La Rochefoucauld, Celan etc.
O meu interesse é uma frase de FL sobre a singeleza dos versos banais. As elegias de Teógnis são aforismas  e máximas e , por conseguinte,  terreno livre do respeito à essência radical da forma.
Dois casos: 

um que confirma a banalidade da forma,

Pois o homem subjugado  pela pobreza não pode  nem falar 
nem fazer nada; e a sua língua encontra-se atada.

 e outro que nem por isso,

Não nos cabe considerarmo-nos  homens salvos,
mas uma cidade, ó Cirno,  totalmente saqueada.



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

PORTUGAL - N.E.P. 2012:


Empobrece, emigra, desinfecta.
Poupa, gasta, economiza, investe.
Deslocaliza-te, contribui, ajuda.
Cala-te.
Aplaude.
Dorme.


domingo, 25 de dezembro de 2011

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

PESTENENÇAS:

António Guerreiro, o patrão literário do Actual ( do Expresso),  elogia uma edição de poesia de Inês Dias. E escolhe  um poema que eu teria vergonha de apresentar nos jogos florais do liceu.
Lá estão os sempiternos "pássaros", " chuva"  e  "mãos", lá está a mais debochada banalidade.
Ide ler.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

SEM MASSA:

Um governo que governasse
um povo que amasse
ou
um  povo que se maça
com o  governo que o amassa.
TITOGRAD-SAVICEVIC.http://semrelva.blogspot.com/
NUMA REUNIÃO ESPÍRITA:

"Titânia era toda susto e pavores, para o fim já traçava  a perna e fazia perguntas abissais:
- O Rui vai para Monsanto ou para Elvas?"

Cesariny ( Titânia -História Hermética em três religiões..., Assírio 1994) define bem a atitude  certa diante da poesia palavrosa, redonda e inerte. 
Tambem se pode usar em solteironas edipianas chatas como a potassa.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

SEM RELVA:
Mennotti e o futebol de esquerda.
ALDEIA NEGRA:

Nemésio é um matorral infinito. Nunca se lê tudo, nunca se tem tudo, nunca se encontra tudo ( eu pelo menos). Por exemplo, muito gostaria  de ver uma  cópia da carta escrita  a Virginia Woolf ( Março de 1937). Côté classificação, felizmente  impossível.
Um pedaço elegante,  contido , perfeito ( voz arredada é a essência da linguagem poética), do Aldeia  Negra, uma aldeia como as que hão-de voltar :

Até que cinza seja
Nosso contorno puro
Como voz arredada,
E a serra nem se veja:
Primeiro, fosco; e escuro
Já na terra deixada.

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

ACERTO DE RUMO:

O Lathe Biosas entra na fase adulta. Passará a cumprir o propósito que o nasceu. Depois ter cortado em várias patologias bloguísticas (  bocas, piadolas, clubite, etc), corto agora com  tudo excepto com a linguagem poética. Já há muitos analistas, poesia boa e experimental é que não.
O Sem Relva já aí está ( farei links aqui nos primeiros tempos), para meu deleite, e um blogue profissional vem a caminho.
COMO SE DIZ RENATO TEIXEIRA EM SÍRIO?


Não se diz porque não existe idioma sírio, como não existe esta esquerda das liberdades selectivas e sotaina do Hezbolah.
RECORDAR É VIVER:

O  lupino e visonário apuro da direita  salsicheira* portuguesa pode ser encontrado numa escavação recente.  Ide por aí ler o que,  durante o primeiro decénio deste século,  esses insóbrios políticos liberais escreveram  e disseram sobre  políticas de imigração.
Lembro-me bem, não preciso de compulsar nada.  Lembro-me de que  quando recordava a vergonha enfeitada num  país de emigrantes a portar-se como um novo rico  diante dos desgraçados que cá aportavam, ser  desdenhosamente  arrumado na direita envergonhada que quer agradar à esquerda chique.  Lembro-me particularmente de um textito ( que inclui no Amor& Ódio) sobre a amnésia europeia dos tempos duros, isto a propósito das balsas de refugiados que insistiam em cruzar o Mediterrâneo.
Nem de propósito, muitos desse hotentotes, frescos e duros, gravitam hoje em volta de um governo ( o dr. Portas  até lá está)  que recomenda a ... emigração.
Que desta vez tenham aprendido a lição, são os meus votos de Ano Novo.



* com licença de  Aristófanes.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O MISTER:

Finalmente vou partilhar com as pessoas a minha  superlativa sabedoria táctico-futebolística. O blogue Sem Relva   será dedicado exclusivamente à análise táctica ( nada de confusões  com os animais  de fato e gravata de outros blogues), sobretudo para os que quiserem mais do que o Luís Freitas Lobo.
 Os fans do FM que souberem escrever  poderão comentar.
LEI DE BRONZE:

 As  mulheres traem com uma convicção imbatível. Uma mulher a sério não se desculpa com  um tipo que  lhe caiu no colo. A traição feminina é uma reforma minuciosa das condições objectivas. Não pretendem, como os homens, buscar variedade ou carne fresca: querem outra vida, paralela.
A traição feminina é feita contra os impulsos ( já)  ancestrais de obediência e resignação, enquanto a dos homens se rebola na  exigência  do ideário masculino. É fácil  perceber que a traição feminina é , portanto, executada  com  a força da necessidade total. Se a masculina é um golpe,  a feminina é uma revolução.
 POIS CLARO:

A vontade de não fazer nada não é uma contradição. Não fazer nada é lógico. Ter vontade de não fazer tudo é que é  ilógico e uma contradição. A vontade tem de servir para alguma coisa.
Ter vontade de não fazer nada  é um suspiro que podia ser uma frase.

sábado, 17 de dezembro de 2011

EXPRESSÃO CULTURAL CONTRA O NEOLIBERALISMO:

O vandalismo de automóveis praticado por dois pobres jovens desempregados da Cova da Moura abrigada sob a  Union Jack.
POKER NO MANICÓMIO:

A esquerda patriota elogia um indíviduo que fez uma ameaça que anunciou ser um bluff.
O PORTUGUÊS SE:

Se me respondem ao que não pergunto
se me ensinam o que já sei
se me escondem  o que desconheço
se me prometem o que já foi meu
se me tiram o que hei-de ter
se me recusam o que não tenho
se me entregam o que não quero,

então fico com o que posso.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

LE CIRQUE:

Numa  altura em que a Madeira  precisa de 78 milhões para pagar salários amanhã, lemos coisas como esta,  de Estrela Serrano,  que finge  não perceber  a diferença entre uma metáfora vulgar e uma posição de princípio.
 PROMESSAS:

Adoeço prevendo as coisas ao contrário do que hão-de ser. 
Curo-me recordando-as  exactamente como não foram.
A MÉDIA REVOLTA (II):

Este governo, como já repararam, exerce sob condições excepcionais: tudo o que faz de impopular pode ser justificado pelas exigências dos credores. Esta definição explica a famosa tirada marimbista do deputado socialista, que foi, assim, tudo menos  extemporânea. Antes pelo contrário, enquadra-se na única estratégia de que o PS dispõe: albardar o governo  com o peso das decisões que toma.
Se, num acaso cósmico, o país se marimbasse a sério, seria  a melhor coisa que poderia acontecer. O tipo médio, sem dinheiro, transportes, comida, hospitais e outras benfeitorias, poderia finalmente envolver-se no que nos falta desde as guerras liberais: uma verdadeira stasis. Poderia ir casa  a casa, distrital a distrital, blogue a blogue, tribunal a tribunal, banco a banco, escritório de advogados-negociantes-legisladores  a escritório de advogados-negociantes-legisladores,  aldrabão revolucionário a aldrabão revolucionário, ajustar as contas que têm de ser ajustadas.
Sim, seria doloroso no início mas recompensador no final.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

ASSIM:

Isto é arte, viva a arte, etc. Se fosse Maomé Cabrón,  seria  xenofobia, islamofobia, imperialismo  cultural ,  etc.
O habitual, mas não deixo de me espantar com a   adesão  dos bon chic bon genre universitários e jornalistas a um tal  sistema  de pensamento-mundo.
SEMIOLOGIA DA CRISE (X):

Um governo para as pessoas: uma especialista  em resíduos sólidos no TNDMII, ou, no mundo do Yes Minister, "If people don't know what you're doing, they don't know what you're doing wrong."
SEMIOLOGIA DA CRISE (IX):

Se querem usar videovigilância para garantir a segurança dos cidadãos, o melhor é instalar câmaras  nas  esquadras e  nas reuniões dos ministérios, dos grupos parlamentares, dos banqueiros e dos super-escritórios de advogados.
SEMIOLOGIA DA CRISE (VIII):

Era inevitável*. Por um lado, muitos dos  jovens políticos de hoje são da geração do rabo à mostra e do não pagamos; por outro, porque,  ao contrário da cantilena do pensamento  único  sobre  a austeridade, o que existe é isto: a solução fácil, a farronca, a inexistência da mínima forma de espírito colectivo, o ridículo, a desenvoltura retórica de um treinador  de futebol.
Cobrejante, começa a aparecer a figura do inimigo externo responsável  por todos os nossos males. Parece que o pressuposto messiânico ( ou sebastiânico, no nosso caso específico)   foi invertido: em vez da crença grupal  num salvador, a crença num responsável pelas nossas falhas.
Parece, mas não é. O que há é tolice  e efabulação, como ( para rimar ) no mito do Prestes João.


* o tom embevecido ( ele é o "Pedro") como a TSF apresenta a ameaça "de pôr as pernas dos alemães a tremer" combina muito bem com o resto.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A  MÉDIA REVOLTA (I):

Depois de anos de apatheia, talvez vislumbremos um rasgo.  
O tipo médio é o tipo que não vê os espectáculos do Rui Horta, que ignora as vantagens fabulosas da parentalidade gay, que não se interessa pelo carro eléctrico; também é o tipo que não está filiado em nenhum partido, que não acha que um bando de bêbados a mijar e a berrar sob a sua janela  às seis da matina é uma manifestação contra  o imperialismo, que gosta de passar os domingos a ver futebol no sofá. Este tipo pode estar a ficar farto de ser uma experiência, de ser crédulo e não alcança o brilhantismo jurídico-filosófico encarregue de infinita compreensão para com ladrões violentos e banqueiros sedosos. Este tipo  são muitos tipos. Alguns milhões.
Dir-me-ão, os que estudaram, que este tipo, historicamente,  não se sabe organizar e que, por isso, uma vez apertado, virar-se-á para os demagogos. Bem, este tipo não é menos do que outros a quem foi dada a consciência de classe e que também se deixaram levar por demagogos. E dos bons.
GUIOMAR TORREZÃO:

Personagem intrigante das letras da segunda metade do século XIX (1844-1898).  Tocou  em muitas bandas ( poesia, teatro , ensaio, romance) e assinou sob o pseudónimo de Delfim de Noronha. Publicou na Ribalta e gambiarras ( nome  também intrigante) e na Mensageira. Herculano meteu-se com ela, no Almanaque  das Senhoras para 1874, Fialho de Alemida  dedicou-lhe  um texto elogioso  no Figuras de Destaque.
A brasileira Revista de Estudos Feministas ( artigo de Rosana Kamita)  destaca-a como líder feminista, atribuindo-lhe  a certeza de que o feminismo  é a causa mais intuitivamente lógica que o século XIX leva á solução do século XX. "Intuitivamente lógica" é uma fórmula deliciosa.
Neste poema ( Fevereiro de 1899) , publicado postumamente, Guiomar declara-se a Beatriz (as feministas precoces eram todas lésbicas?). O poema não vale um chavo ( um pastiche romântico que é quase ultra-romântico), mas a vida corajosa de Guiomar valeu muito.
Um pedaço de Beatriz:

Visão que surges n' estas horas mágicas
como eu te imploro a suspirar por ti!
como eu te vejo esvoaçar no espaço...
como aos teus olhos meu olhar prendi!
Ai! se lograsse de minh' alma as trevas
nos raios teus illuminar, estrella!...
OS FORCADOS SEM TOIRO:

Há uma nova moda panfletista: fulano é muito corajoso, frontal, destemido,  não se importa de fazer inimigos, etc. Das colunas dos jornais aos blogues, passando pelas rádios  e televisões. Lérias.
Quando esmiuçamos estes forcados, percebemos que estão numa tenta  de plástico. Sim, são muito valentes a chamar nomes a um político, para seis meses depois lhe lamberem os pés; sim, são corajosíssimos a atacar entidades indeterminadas ( os sindicatos, os árbitros) , mas  o google não nos dá uma única resposta torta aos patrões dos media; sim, são frontais declarando ter descoberto indícios avassaladores  de conspirações antidemocráticas , mas depois  recolhem à biblioteca e ao teclado.
Isto de citar um toiro que não existe  tem muito que se lhe diga.
 PSICO (I):

Quanto mais trabalho, mais preguiçoso fico. Suponho que isto acontece porque o meu trabalho é ouvir pessoas. As  histórias são todas diferentes , não se consegue extrair uma ordem, o que é uma grande desilusão. Julgava, ao fim de tantos anos, poder dizer que já vi  tudo, mas não. E isso torna-me preguiçoso,  faz-me compreender  o tanto que ainda  falta ouvir.
Esta quantidade, por estranho que pareça, não me traz grande proveito na vida civil. Não me deixam escutar, obrigam-me a participar. O delírio chega ao ponto de desejar assistir à minha vida, num canto, com uma cerveja na mão e  um prato de azeitonas ao lado: nenhum compromisso, nenhuma recusa, nenhuma responsabilidade.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

ESCRITO POLÍTICO:

As coincidências felizes  são um pretexto para acreditarmos no destino; as trágicas são uma ocasião para o escrever.
 DE BOLSO:


A vida não é difícil,  insuportável é acreditar nisso.

domingo, 11 de dezembro de 2011

OS MAUS POETAS:


São agentes secretos. São toupeiras que infiltram as boas imagens. São  contínuos agarrados a uma  secretária gordurosa a ver passar as crianças  e a imaginá-las sem roupa. Agarram-se aos pássaros, aos  navios e aos dedos, agarram tudo o que se cole ao  bigode miudinho e depois escrevem poema no cimo da página.
Os maus poetas são filhos para salvar casamentos. E  prematuros.



sábado, 10 de dezembro de 2011

 BOA COIMBRA:

 Da Faculdade de Letras, que produz boas coisas com regularidade:
"Em Portugal, desde a génese do Santo Ofício,  o padrão dominante  foi o da aceitação e da colaboração ou, como já se constatava  no Conselho de Portugal em 1611, a conformidade e a  boa correspondencia".
O livro chama.se Baluartes da Fé e da Disciplina, O enlace  entre  a Inquisição e os Bispos em Portugal ( 1536-1750) e o  premiado autor é o conimbricense José Pedro Paiva.
Bourdieu na paleta, sim, alguma língua de pau ( "pesem embora"), mas de leitura dulciolente, para meu agrado nestas tardes de chuva.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Camerata Mediolanense (Live in Arcana Europa 2001)



Se Evola pudesse, assistia.
SEMIOLOGIA DA CRISE (VII):

Queimam-se navios, da Madeira  à  Guarda. Desmentidos e acusações, num espoliário  onde se respira despeito. Quid novis?
Alguma coisa. Noutros tempos, o som era o dos passos na alcatifa nos corredores.
Agora, a  angústia democratizou-se.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

CARNES VERDES& MODERNAS:

O  tratado  com a minha talhante: 
peço-lhe jarrete
ela sugere agulha,
opto pela rabadilha,
ela dá-me pojadouro.
Na gordura estamos  de acordo,
não há febra que não a  peça.
Confesso,
ainda não me consegui
habituar ao cutelo fulheiro
e drogado  pelo sorriso da talhante.
Olha-me  sem lustre 
e provoca a  dona:
-Quere-lo para guisar ou vai assim?




Boss AC - Sexta Feira (Emprego Bom Já) videoletra

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

TALVEZ FOSSE BOM REVER O PROCESSO CASA PIA:

 "Pedro Guedes explicou ainda ao matutino lisboeta que o pai teve acesso a alguns pormenores sobre os homicídios através da jornalista do jornal "Sol". "A jornalista contou-me e eu perguntei ao meu pai. Foi assim que soube de alguns pormenores", afirmou o jovem, confirmando que a jornalista lhe carregou o telemóvel com 50 euros numa altura em que falavam regularmente. "Ligava-lhe muitas vezes e mandava mensagens. Foi a única vez que ela pagou alguma coisa", confessou".

O Apocalipse segundo Cioran (parte 2/6)



Sempre pensei que todos viviam na ilusão excepto eu.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

E-370:

Uma manhã velha é um compromisso de honra.
Fazemos o que temos de evitar,
com a alegria dos garotos que não estudam.
Se nos interrompem,
herdamos um sonho racional.
A VAIA:

A Miguel Relvas clitorizou um  PS que sugeriu  o mesmo que suscitou a vaia a Miguel Relvas. 
Ainda mais motivante, aquilo que deve ser obrigatório  em democracia, a stasis, foi pintado nos media como um problema.
E assim se progride nos intervalos do retrocesso.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

SEMIOLOGIA DA CRISE (V):

E no meio de  uma depressão económica e psicológica, uma conversa sobre excedentes. Estamos, portanto,  em pleno  sonho e  num sonho combatido com determinação: uns querem pagar dívidas, outros subsídios, mas todos reclamam a  paternidade do excedente.
Sugiro um Cesariny  seco e fresco: para falar ainda é cedo, para calar já é tarde.


LADIES PICKING DAISIES:

Era tão feliz
que tinha pavor da infelicidade.
No  sentido certo,
uma infeliz.
MEMORABILIA:

Demitiu-se o sétimo ministro da Presidenta Dilma. Um tipo percorre as crónicas da luso-brasileira do Público e  os blogues das esquerdas e não lê um texto, uma nota sequer.
O Brasil político desapareceu para os ex-fans da Presidenta. As tonitruantes esquerdas sempre tiveram esta capacidade de passar entre os pingos da chuva.

domingo, 4 de dezembro de 2011

SEMIOLOGIA DA CRISE (IV):

O homem do sindicato dos guardas prisionais, no outro dia, à TSF : as prisões continuam em défice. Esta expressão, incidental na boca do sindicalista, assume uma forma inculpe na orelha do ouvinte. Percebe-se que há poucos guardas , mas uma prisão em défice não seria uma prisão com falta de presos?
Toda  a ordem nova é considerada uma desordem, escreveu Fillon,  no Potlach ( Fevereiro de 1955). Se  a crise chegar às prisões, a comutação de penas cumprirá a premissa do Letrista.



sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

SEE YOU LATER ALIGATOR:

A melhor parte do Jacaré do 31 da Armada   é a que assegura ser  a biografia  de Cunhal uma "vingança de JPP": uma mimoplástica e original  interpretação.
A segunda melhor parte é o lamento por não terem encontrado nenhum amigo de JPP. Gente que  escava tanto e  esqueceu-se de que  há lá um no blogue.
SEMIOLOGIA DA CRISE (IV):

O secretário de Estado do Mar tem dúvidas sobre as radiobalizas. Secretário de Estado do Mar é um título  grandioso ou cómico. Grandioso se imaginarmos o homem como um Poséidon, capaz de gerar maremotos, abrir chasmas e admirador de  Tétis; cómico se o imaginarmos como o secretário do estado do mar,  um nadador salva-vidas,  que arreia bandeirinhas  e vigia banhistas.
A crise poderá limitar a aplicação das radiobalizas, mas os milagres estão a salvo. Uma das mães afiançou ter sido um milagre, mas, à cautela, também declarou que o filho não voltará ao mar. De  certa forma, faz como os gregos, que evitavam nomear o deus  porque isso equivalia a  chamá-lo.
EDITORES:

A Ler de Dezembro  já aí está e desta vez recomendo a minha crónica, que me garantirá edições de autor para o resto da vida.
NO ALVO.
SEMIOLOGIA DA CRISE (III):

No número anterior, ocupei-me da polícia  que prometia ser  o último refugium de segurança na situação actual.  Esta semana tivemos isto.  Uma crise dentro da crise, ou, dando  a palavra  a Carlos  de  Oliveira,  de modo que uma solução  assim mitigada deixa o problema quase  na mesma.
O nome do homem mencionado na notícia é bom: Quedansau. Talvez que dançou, talvez corruptela sincronizada do  francês: que  dans au  ( moins). O apelido é Correia, pelo que teremos  que (pelo menos)  num Correia.
Sim, bastou um Correia para acabar com a sensação de refugium.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O FUROR DOS DIAS BRUTOS:

Armindo Rodrigues, uma vez mais. Anda esquecido, bem sei, como muitos poetas portugueses, mas aqui será sempre convidado.  Médico, tradutor,  homem da Vértice e da Seara Nova,  comunista, ou, pelo menos, antifascista militante.
Neste livro, ensina uma poesia que nem é o meu género e por isso mais o respeito:

A noite vem
e no silêncio
que traz consigo
sentem-se  os homens 
mais sem raízes.

Falta o furor 
dos dias brutos
com que se exprime
a convicção 
de uma verdade.