sábado, 31 de março de 2012

CONSERVAS  TENÓRIO:

E assim, a direita conservadora, patriótica, simbólica, carlyleana, desaparece a mando de um banco estrangeiro.

sexta-feira, 30 de março de 2012

"TRIPLAMENTE MARGINALIZADA":

Como dizia Kraus, se  a tolice for  igual , o que faz a diferença é a massa corporal: um idiota não deve ocupar muito espaço.  Vem isto a propósito de mais uma preguiçosa peça  de um jornalista cultural, desta feita  o obituário de Adrienne Rich, no Público de sexta-feira, secção "cultura".
Diz o jornalista cultural: " Triplamente marginalizada enquanto mulher, judia e lésbica",  "Assumidamente lésbica , numa altura em que a homossexualidade era amplamente condenada (...)". Não sei se leram o post aí em baixo sobre  Natalie Clifford. Era muito marginalizada. Tanto que escreveu e publicou toda a vida.E as suas amantes foram  também muito marginalizadas: divertiram-se, escreveram e pintaram toda  a vida.
A repetição desa vulgata pode servir a agenda LGBT, mas não serve , de certeza, o jornalismo cultural.
É DIFÍCIL MANTER  A COMPOSTURA.

quinta-feira, 29 de março de 2012

L'IMPÉRATRICE DES LESBIENNES:



Era a alcunha dela, a senhora Natalie Clifford. A milhas das lésbicas lusas de hoje.
Escritora  prolífica, odiava   a monogamia, mas manteve uma relação de 50 anos ( com mais intervalos do que buracos no queijo)  com a pintora Romaine Brooks.Tinha um salão em Paris e papou muitas mulheres. Tudo às claras. Recebia no número 20 da Rue de Jacob, uma casa descrita por Radcliff Hall em The Well of Loneliness. Uma  outra lésbica famosa, e activista, Mercedes Acosta, levou-lhe ao salão Greta Garbo*. Cocteau ia lá comer  sanduíches de pepino.
Nunca quis saber de casalinhos LGBT com filhos e passeios aos domingos, tatuagens e histerias. Gostava de Paris  e dizia que em Inglaterra nada há destinado às mulheres, nem sequer os homens.
O cão é um bulldog francês, um Pug.



* cortesia Artemis  Cooper
NO TENDIDO.
 ANÁLISE COMPARATIVA:

Como dizia  Said, é sempre bom viajar nas culturas de forma transversal e não no modo hierárquico. É  delicioso verificar como Fernandes, depois amplamente citado, fingiu não perceber o que é, na mente de um integrista,  o assassínio de traidores do Islão:


E agora:




quarta-feira, 28 de março de 2012

TEORIA (XIII):

Os excessos podem ser perdoados, mas para isso tem de haver   contradição. Conta Artemis Cooper que, em 1946, durante a Conferência de Paz de Paris, sob  o trauma nuclear, os  proxenetas abordavam os conferencistas oferecendo  amour atomique.
Cesário, num poema publicado no Diário da Tarde ( Porto, 1873),  vai até à linha de fundo, ( dispensava-se a dissecação)  mas o centro ( o saber livresco como padrão) é que sai torto:

Teus olhos imorais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais
Que muitas bibliotecas.

Os olhos imorais são excelentes. Não há nada mais imoral. Hoje, qualquer  artista rameira se despe nos jornais e é tudo um  longo bocejo.

terça-feira, 27 de março de 2012

LIGA LIVRE (II):

Uma regionalização não serviria para nada. Seria apenas o prolongamento das formas de dominação burocrática a partir de novos centros. Não por acaso, quase todos os que  a defenderam, nos últimos anos,  estão agora satisfeitos em Lisboa ou endividados a Lisboa. A única regionalização possível nascerá de partidos locais. A seu tempo.
Em certas situações, as classes sociais separam-se dos seus partidos tradicionais. Este divórcio reforça o poder  da burocracia civil, da alta  finança, da Igreja e, em geral, de todos os corpos relativamente independentes da flutuação da opinião pública ( Gramsci, Quaderni). A crise de autoridade que se abre  faz com que a classe  dirigente  tradicional* reabsorva o controlo  - talvez faça sacrifícios e se exponha a um futuro incerto através de promessas demagógicas, mas retém o poder e usa-o para esmagar  os seus adversários e dispersar os seus melhores quadros  ( Gramsci, Quaderni). 
É vantajoso verificar como a descrição  não está desactualizada. O exemplo português pode ser bispado em muitos  pontos  - o leitor que  interprete como quiser.  O que me interessa é constatar como  a centralização - o cesarismo gramsciano - floresce nestes tempos.
Os media, por exemplo,  são uma peça fulcral no controlo centralista e um dos tais corpos independentes da flutuação  da opinião pública. Por irónico que seja, ela é alheia aos critérios editoriais, à dança de directores, à filiação partidária, ideológica e simbólica  dos jornalistas. Os principais  telejornais dão o prime time  à visão lisboeta  ( ou proto-lisboeta, no caso do Porto) da realidade ( vg o exemplo da recente greve geral).
No plano cultural, em sentido lato, a coisa  é igual. A abordagem de questões de costumes, do impacto de políticas do quotidiano ou da agenda espectacular, é sempre feita sob a batuta  da classe central dirigente. Em certas matérias, esta deixa caminho  livre ao cesarismo rive gauche extraído das escolas  de sociologia e de comunicação social lisboetas. É por isso que  certos temas parecem ser graníticos - LGBT, Palestina etc - e outros de esferovite - a segurança, o narcotráfico, a solidão dos fracos  e velhos. 

( cont.)

* O exemplo dos deputados-filhos-de-políticos que saíram  da escola directamente para o parlamento, os velhos senadores que dizem uma coisa com o chapéu de político e outra  com o de administradores etc.

Loudon Wainwright III - Carrickfergus

DO LOMBO:

Aí em baixo têm uma pequena conferência de Esposito. Três livros, um tríptico - comunidade, imunidade e biopolítica. Como e quando uma política de vida produz morte? Recuperemos a pergunta  para o ecossistema político  português, essa coisa sobrada da decomposição da crise: o salvador, o PSD passista, transmutou-se no executor. Sai-nos do lombo, diz o comunicador.  Eu diria mais: sai-nos o  lombo todo ( e a agulha, o  jarrete,  a rabadilha etc).
Esta comunicação é nutante, impedindo uma identificação do desejo do falador. Quer-nos mal para o nosso bem, porque  as promessas e as certezas da campanha foram  enterradas sob a bandeira  da crise que não existia.

Roberto Esposito - Cultura, nazione e Stato

segunda-feira, 26 de março de 2012

DA NEGAÇÃO:

Em Uma neurose  demoníaca no século XVII, Freud discorre sobre  o demónio como substituto do pai:  um indivíduo que deprimiu depois da morte do pai cai em tal melancolia que acaba por  eleger o demónio como substituto do pai amado. 
Sócrates  encaixa neste perfil para o Correio da Manhã e para alguns bloggers/agenciados/comentadores, mas não merecia ser gozado por um indivíduo como este. Caramba, na caça ao lobo não participam caniches.

domingo, 25 de março de 2012

O EPISÓDIO HOLANDÊS:


Ponto prévio: 
As castrações datam de 1956. Outros episódios  agora  conhecidos datam dos anos 60. Uma pessoa fica  a pensar por quanto tempo continuariam nas catacumbas se Ratzinger não tivesse sido  escolhido. Dito de outro modo, há mais gente  a usar o sofrimentos  das vítimas do que parece. E sim, os ratos de sacristia costumam  dizer nos blogues que isto é conspiração da judiaria internacional contra o Papa.

O osso:
 A repressão sexual, já ensinava o velho Sigmundo,  desenvolve taras. No entanto, como a pedofilia moderna -  electrónica ou real,  e muito mais próxima de nós  do que alguns imaginam - também ensina, a libertação sexual não nos livrou delas. Em que ficamos?
A visão clássica é que somos umas bestas domadas. Sob certas condições - genéticas, ambientais, toxicofílicas etc - a besta reaparece. Essa é a visão do Freud tardio. A escola tardo-moderna, para a chefia da qual podemos  nomear Margaret  Mead e W. Reich, declarou que  a culpa das taras é exclusivamente da civilização capitalista apoiada na repressão sexual burguesa. Em cima do bolo podemos  assentar a teoria da sociedade criminógena: a superestrutura social é sempre responsável pelos crimes individuais.
A repressão causa taras, a libertação causa taras. Conclusão: as taras são inevitáveis. A violência sexual sobre crianças,  exercida pelo padre ou  pelo trolha, é sempre violência sobre o mais fraco. O revestimento sexual impressiona-nos, mas é um erro de análise. Ela é igual à exercida sobre a velhota que foi ao multibanco, sobre o taxista indefeso ao volante, sobre o estudante que recusa um cigarro.
As crianças não têm dinheiro nem bens, por isso a violência sobre elas é, de ordinário, sexual. Se conseguirmos deitar fora  a tralha ideológica que desculpa as outras violências sempre em nome das desigualdades e da pobreza, conseguimos compreender por que motivo a repressão sexual e a libertação sexual não mexem uma palha neste assunto.

sábado, 24 de março de 2012

OBRA DE UM MALUQUINHO, IRMÃO MALUQUINHO, TODOS MALUQUINHOS:

Todos  fichados, velhos conhecidos, islamitas fanáticos, soldados  franceses mortos, quatro  judeus abatidos: tudo coisa de maluquinhos
Vendo bem, nada de novo: o 11/9 foi executado pela CIA, Atocha foi encomendado por Aznar, etc.

sexta-feira, 23 de março de 2012

LIGA LIVRE (I):

Há cinco anos. Polícia, cargas, bastonadas, Rossio-Chiado, Lisboa. O défice cognitivo , o espírito de Jota e o de claque estão de tal maneira que já não se pode pensar: agora são os socráticos que clamam fascismo!, ontem era Sócrates que A. Barreto não sabia se seria fascista.
E é pena que  meia dúzia de jornalistas e senhores professores analistas- os teleguiados e os seus chefes de fila soixante-huitards -  apoiados nos pequeno-burgueses do bairro Alto, que fazem sempre o mesmo com crise ou sem crise, com chuva ou sem ela,  sequestrem uma greve geral e nacional.
Os señoritos portuenses do PSD, agora instalados em Lisboa,  esqueceram a regionalização ( o Vasco Lobo Xavier, em conversa que  suportámos  faz uns meses,  preconizava isso mesmo). Não faz mal, porque a que eles queriam eu não comia nem de cebolada. Pretendo alinhavar outra coisa, sempre com a certeza de que será inútil e sem efeito. Como gosto.
A partida é esta: já que a crise serve para tanta coisa, então que sirva para nos livrarmos do jugo centralista-lisboeta, mas de um jugo que é um arquivo completo e não se limita à centralização da distribuição de dinheiro e decisões administrativas. É também cultural, mediático, mental e simbólico.


quinta-feira, 22 de março de 2012

SEMPRE ÀS ORDENS:

O que a TSF 15 deOUTUBRO não diz é sobre "as altercações"  entre a GCTP e os meninos 15 de Outubro, mas pode ler aqui ( não se incomode com o "renato", que é meco muito amigo de violência, pelo menos no teclado).

Adenda: quanto às imagens que "correm mundo" ( da carga policial), são filhas únicas: não existem as dos incidentes relatados pela TSF, em que dezenas de pessoas sentadas numa esplanada começaram  a levar com calhaus  15 de Outubro. Claro.
O COMUNICADO DO ANO:

Ainda hoje não entendo como gente tão meticulosa pagava facturas de outros por engano.
ESCRITA CRIATIVA*:

Porque os militares mortos eram magrebinos, o tipo é um louco. Ah sim? Os polícias afegãos que  morrem diariamente  às mãos dos taliban são  o quê? Supercaucasianos? Não havia negros nos aviões do 11 de Setembro?
O abate de pencudos, então pequenitos,  suscita sempre muita criatividade e distracção. Já no passado foi assim.

*adenda: aqui há mais dessa., via LMJ.
OS VIPÉREOS:

Sim, já aqui trouxe ( embora retirado do contexto) a descrição que Gramsci  fez dos chefes sindicais: banqueiros de homens em regime de monopólio. Sim, sabemos  que Arménio Carlos tinha de se afirmar. Falta o resto.
Quanto mais não fosse,  por vergonha, os hoplitas mediáticos  e bloguistas deviam abster-se de graçolas. Não sou empresário nem sindicalista, a minha visão da crise é  a das pessoas que se vão abaixo  física  e mentalmente. 
Na consulta, vejo homens e mulheres  que já não conseguem foder,  que já não têm paciência para os filhos, que  perderam a pouca confiança que ainda tinham.  A minha crise é de pormenores: raivas antigas que voltam à superfície,  carros que são devolvidos,  gente crescida que parte para Inglaterra e deixa o amor para trás.
Se querem brincar, comprem lego.
POLÍTICA DE ARTE:

A SEC anunciou entrada livre nos museus e nos teatros para quem estiver desempregado. Não vi nem ouvi comentários à decisão. Devem ter ficado indecisos. Por um lado, apeteceu-lhes dizer que o governo faz caridade cultural com os pobrezinhos, por outro devem ter ficado receosos de criticar uma medida destas em tempos de crise. É a esquerda-desejante que temos.
A ideia é boa. Temos uma estética   no sentido original  de Baumgarten, que a recomendava , nos Prolegómanos, para  a vida quotidiana: uma experiência  do sensível, daquilo que pode ser apreendido por todos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O LOGRO:






Estes meninos com um discurso Badiou/BossAC não são os que têm lerpado o nem os que mais vão lerpar. Estes meninos são como os dirigentes de futebol ,  dizem o memso há  anos, como podem consultar em qualquer plataforma anarca. Acontece que agora têm mais pretextos.
Os que de facto têm lerpado e vão continuar a  lerpar -  os operários de fábricas que fecharam e que os meninos anarco-lisboetas nunca  visitaram, as cabelereiras,  as secretárias de gabinetes de arquitectura, os comerciais de centenas de pequenas empresas que faliram - , esses têm mais  que fazer do que brincar ao Maio de 68.
Se  e quando se revoltarem, estas brincadeiras burguesas vão parecer o que são: brincadeiras burguesitas..
TEORIA (XII):

A poesia serve para esconder a realidade enquanto  a usamos. Mostrá-la é fácil, negá-la é divertido.  
Quando Pascoaes perorava sobre o encantamento infantil necessário ao poeta -  coisa muito próxima do conceito psicodinâmico de João dos Santos, que dizia que um homem tem de manter a ingenuidade infantil de se deixar encantar -, alguma coisa se aproveita. 
Pois penso que  se  um garoto agarra numa pá e num balde e vai sozinho para uma zona  sossegada da praia e inventa armas, exércitos e trincheiras, está nessa operação. A areia , os pais, a pá, o balde, tudo desaparece. O mecanismo: enfiamos o real no bolso e no lugar dele desenhamos, mas ele está lá sempre, como a praia e os pais.
Ora então um bocadinho magistral  de "Noite Fechada" ( in O Sentimento de um Ocidental, 1880), do mestre Cesário Verde:

Duas igrejas, num saudoso largo,
Lançam  a nódoa negra e fúnebre do clero.

terça-feira, 20 de março de 2012

QUANDO PATO ESTÁ DE LUTO, O PRETO FUMA CHARUTO*:


A melhor parte é  a dos comentários:  a homofobia desta campeã do feminismo é uma herança colonial.
Ou seja, tudo o que é bom, inclusive o feminismo, é deles  ( sim, o feminismo é uma tradição swahili, bijagó, kikuyu etc), tudo o que é mau é nosso.
Não admira que enfiem barretes.

* copyright by Eduardo Batarda
ESTRANHO:

Fiquei imediatemente do lado da Susan Sontag.
O COMPLEXO DE  BERNADOTTE:

Jules Bernadotte. Anti-monárquico súbito, depois ferrenho, acabou rei da Suécia, para espanto da Dieta e de Napoelão.
Há alguns em Portugal. Comunistas ferrennhos que hoje dissertam , em tom negligente, sobre as evidências da alta finança; maoístas que já só sentam o traseiro  em máquinas para cima de 100.000 euros; bajuladores  que ontem eram acusadores espumosos da mesma pessoa; conservadores  securitários agora convenientemente distraídos  da ladroagem;  cronistas que viam em Sócrates um Béria  amordaçante da  imprensa livre e hoje assobiam afinadinhos.

domingo, 18 de março de 2012

DUAS  ACHEGAS:

Às crónicas  do  meu estimadíssimo  cavaleiro Pedro.

1) Na perspectiva psi:

Uma das ideólogas LGBT, uma das  históricas e das  melhores, Eve Sedgwick*, detestava um artigo de Friedman sobre o Core Gender Identity ( CGI). Basicamente, Friedman entendia que um rapazito efeminado desenvolvia  a sua identidade  gay se outros homens não o vissem como suficientemente masculino.  Eve Sedgwick abominava esta interpretação, porque, se Friedman tivesse razão,  uma proto gay childhood ( termo dela) estaria sempre dependente da forma como  os pais ( ou os caretakers)  percebessem  o CGI . Resta que Friedman não foi expulso de lado nenhum, é um académico respeitado e editor-chefe ou co-editor de várias revistas  de psiquiatria e psicanálise.
Sedgwick, que argumenta e escreve de forma impecável, esconde, no entanto , outro jogo. A pressão actual para a parentalidade gay pode ser vista como uma maneira de ultrapassar as conclusões de Friedman: afinal não estariam  tão erradas como isso, ou seja, afinal  é preciso  dar uma ajuda  ao desabrochar correcto da proto gay childhood. Pais, ou caretakers, do mesmo sexo podem funcionar como agentes provocadores-gay.
Pergunta : isto é mau ou perigoso? Do meu ponto de vista não sabemos ainda o suficiente para responder. Nestas coisas é preciso manter a cabeça fria e ignorar o lado militante dos ideólogos LGBT. Na minha prática clínica tenho bastos exemplos  de pessoas que seriam hoje mais felizes se não tivessem sido pressionadas ( social e familiarmente)  para não serem homossexuais. Por outro lado,  o tal estilo militante ( por vezes fanático) inspira reserva: as crianças não são arquivos imperiais, para utilizar um  autor gay friendlly como Edward Said.

*"How to bring your kids up gay", Social Text No 29 ( 1991).

2) Na perspectiva política:

Diane Richardson tem um artigo muito bom sobre  a questão da assimilação. A autora passa  em revista os  modelos de afirmação LGBT: o  subversivo, depois o  contestatário ( os manifestos londrinos dos anos 70  de ataque à a família tradicional) para , finalmente, analisar o normal gay. E o que é o normal gay, perguntam os  meninos? É o gay, no dizer de Richardson,  que "junta amor a sexo", que adopta a moral sexual burguesa que constitui uma ligação familiar  monogâmica,  que cria os  filhos em paz. Como qualquer outra família tenebrosamente  burguesa.
Sempre  escrevi nesta linha: a ideologia LGBT acabou por descobrir que a melhor forma de assimilação é e a adopção da norma comportamental sexual-familiar  maioritária. É delicioso constatar, como no artigo citado,  que afinal, grande parte da identidade política LGBT  cedeu. Acontece que  isto levanta outras interessantes questões que muitos autores LGBT , como Richardson, abordam e com razão: a da  cidadania. A partir de que ponto, politicamente falando ( outras, muito importantes, ficam para depois), podemos excluir os gays e lésbicas normais
PEDAÇOS (II):

No Casal do Marco ( Seixal) e em Torres Vedras tentaram abrir caixas ATM. Foi à marretada e com um pé-de-cabra. À medida que a coisa evolui, os sistemas simplificam-se.
Estas caixas  rijas falam connosco e têm lá dentro muitas notas. São como tesouros enterrados nas ranhuras dos shoppings, nas paredes dos bancos, nas gasolineiras.
Os novos piratas, porque não sabem a senha, saltam para cima delas como leões.

sexta-feira, 16 de março de 2012

TEORIA (XI):

A bem dizer, hoje  nem é. Reparem nisto:

"Entre a urgência  e o coma, vai-se imaginando meticulosamente o campo da memória. Então resumindo:

‹‹Gosto de foder: gosto muito de foder. Gosto mais mais de foder do que  a maioria das pessoas‹‹

sobrepõe-se a tudo em termos  de urgência. E tudo o que não é nada torna  a ser tudo. Foder é revolução e paz.

E nisto:

 "O referencial e o auto-referencial  argamassam o texto , cujo verdadeiro ethos escorre liberto, seguindo por entre fendas que ficaram em aberto, ou que se vão abrindo nos interstícios". 

Crítica de poesia ( "É urgente conhecer a poesia de Luís Martins") assinada por Maria da Conceição Ribeiro, no  Ípsilon de hoje.
Não sei que mal fez Luís Martins  à autora da crítica, mas o mal que estas críticas  horríssonas, pomposas e amanhadas num linguajar de letrado de Alcabideche, fazem à poesia, esse é certo.
Quanto ao poeta, espero que haja mais nos livros do que o citado  ao longo da " crítica"( fraco)  e da infantilidade do gosto muito de foder: para isso vou ao WC de um bar qualquer.

BENESSE:

Uma das vantagens  de ter Paulo Portas no governo  é que deixámos  de assistir  às suas homilias de dedo  espetado no ar, narinas frementes e voz de falsete. 
Imaginam como seria hoje, com os ourives encurralados em Tsavo, as ATM desfeitas à martelada, as esquadras cercadas de cada vez que prendem um traficante? Safa.

quinta-feira, 15 de março de 2012

DEMOCRACIA:


Seremos eleitos
para proteger os nossos interesses
como se fossem os vossos.
DA ESTELÍFERA ARTE:

"Só não muda de opinião quem não tem uma". O cúmplice mentiroso  é agora o melhor dr.  das esquerdas.
Isto não é para todos, isto requer muita prática.
OTELO EM COIMBRA:

Se soubesse, teria saído mais cedo da clínica. Ofereço-me desde já para a contra-informação. Consigo interrogar uma pessoa  doze  horas a fio sem levantar a voz e obrigá-la  a repetir a mesma história vinte vezes.

 UMA CAMPANHA DE VERDADE:


-Queria meia verdade se faz favor.
-Pode levar duas pelo preço de uma.
-Então prefiro levar uma mentira inteira.
-Leve esta. Engordei-a antes dos votos.
-Já está um bocado tocada.
-É do uso. Até se mastiga melhor.
CHANEL 69:

quarta-feira, 14 de março de 2012

PEDAÇOS (I):


A ideia do homem a cantar, avinhado, a meio de uma madrugada fria e de uma crise undívaga, é bonita.
Já ocorrer-lhe que nunca lhe tinha ocorrido  incendiar uma moradia, é estelífero: um território entre a ideia que nunca tivemos e a possibilidade que não devia existir.
CHUMBADA:

Diz a TSF que nenhum deputado contestou. Bem me parecia  que nenhum deputado representante do povo subscreveria  esta coisa taliban-fascistóide.
TEORIA (X):

Amiel, Diario Intimo, Julho de 1853:

"Por que faço melhor e mais facilmente  os versos curtos do que os grandes, as coisas difíceis em vez das fáceis?"

Nem mais.
SÓ UMA MULHER:

Gaston Palewski, chefe de gabinete de De Gaulle  após a Libertação, terá muitas histórias (  foi namorado da escritora Nancy Mitford) e teve muitos amores,  mas a resposta* que uma mulher lhe deu fica para a eternidade.
Gaston tinha passado a noite a cortejar uma dama ( hoje dir-se-ia assediar) durante um banquete e, à saída, dengosão, oferece-se para  a levar a casa. A dama responde: " Não, obrigada. Estou muito cansada, prefiro  ir a pé".

* via A. Beevor

terça-feira, 13 de março de 2012

ABORDAGEM SOCIOLÓGICA  DE JANEIRO A JANEIRO:

António Barreto diz que se os portugueses estão  a comprar mais salsichas do que peixe fresco, é porque estão  a reagir. Sem dúvida: e se passarem a comer côdeas, ainda reagem mais.
Também disse que será falso que os suicídios tenha aumentado por causa das taxas moderadoras. Nunca  pensei que, por exemplo,  na Grande Depressão,  os suicídios foram atribuídos ao aumento   do preço das consultas médicas.
AGORA CHAMA-SE POLITOLOGIA:

Marina Costa Lobo,  anti-cavacóloga, escrevia aqui coisas assim.
Quando a lerem agora, finjam que é apenas uma politóloga:

Marina Costa Lobo interpreta no mesmo sentido os factos e o seu enquadramento político institucional. "E Marina Costa Lobo salienta que Cavaco Silva "também é explícito no prefácio a eximir-se a responsabilidades". E conclui: "Cavaco Silva, na posse, mudou de atitude perante o Governo. Ele sabe que as suas críticas eram desgastantes da relação. Era ingénuo pensar que, depois daquele discurso de posse, receberia informações do primeiro-ministro, baseado em cooperação estratégica que não existia.
TEORIA (IX):

João Rasteiro colaborou  num livro  chamado " O que é a poesia?". Reparem  , por exemplo,  nisto ( in  "A Divina Pestilência", Assírio, 2011):

"Enxerta-se nas auroras a promessa
Cheia de rebentos a inexorável cria,
alimentada na holografia da poesia!"

Rasteiro não deve ter chegado a conclusão nenhuma. Há lá coisas ainda piores e, claro, o livro foi premiado ( "Manuel Pina" 2010). Cono dizia Cochofel, os livros saem, passam e esquecem. Uma poesia pomposa e rechonchuda, sai, passa e esquece ainda mais depressa.
Se queres, virgilianamente, sacar à natureza  o prazer poético, não o submetas a tratos de polé, ou seja, a um S&M de Arruda dos Vinhos a tresandar a alho.
SONOROS PARABÉNS:

Já que a  inveja é silenciosa.
UM CERTO MODO DE SER:

Português; aplica-se à austeridade súbita:

"Esta revolução (...), acontecida assim súbita e inesperadamente em Lisboa, causou uma espécie de surpresa  e estupor em todo o Reino; mas não encontrou resistência em ponto algum".

"Memórias do duque de Palmela", numa edição, de Fátima Bonifácio, que passa a ser a referência no género: notas biográficas de todas as personagens citadas pelo duque. Chapeau.

domingo, 11 de março de 2012

"VAI VIR GENTE MORALMENTE SUPERIOR".

Noutros tempos, Ana Manso  preocupava-se muito com a redundância administrativa:

"A vereadora salientou que a oposição social-democrata não ficou surpreendida com o relatório final "porque quando a comissão foi nomeada, alertámos para a necessidade de ela ser constituída por elementos independentes e não por funcionários da própria Câmara".
TEORIA (VIII):

Adolfo Reyes discorre ( inédito, 1911) sobre  a relação entre a limpidez e a sintaxe rebuscada.  Pode um poeta ser um artífice da forma, do estudio amoroso da la palabra e, ao mesmo tempo, as formas que escolhe  revelarem  la fuerza  plastica y la serena objetividad? Digamos que tal possibilidade é tão razoável como a de encontrarmos uma galinha  num torneio de xadrez, mas existe.
Um exemplo da dificuldade. Gastão Cruz. Em Ave Fugaz parece uma lambreta engasgada - o fruto árido tombado da luz. É difícil fazer pior. Noutros ( No Céu Negro) , melhora: não é usando o adjectivo  escuro/ ou obscuro/ que o poema se escurece.
Do equilíbrio. O enorme António Ribeiro  dos Santos, vulgo Elpino Duriense:

Hás-de deixar um dia os caros livros,
de papel fino, de gentil carácter,
de longas margens, de vinhetas belas,
de rica vestidura.

É emocionante ( sim, às vezes acontece-me) como uma leve  insinuação transforma  tudo o que lemos a seguir.

sábado, 10 de março de 2012

AFINAL:

Os ideólogos LGBT sustentam que a parentalidade gay sempre é melhor do que a institucionalização de crianças. Ontem, em Coimbra, falou-se de números: das mais  de 11.000 crianças nessas condições, podem  ser adoptadas 567. Registaram-se 2.316 candidatos  à adopção.
O problema, do meu ponto de vista,  nem é a adopção. Em certos casos pode perfeitamente ser uma alternativa. Como sempre, nesta táctica leninista do salame, o problema é o que vem a seguir: por exemplo, um casal de gays de 60 anos manda fazer uma criança ao lado ( aluga uma barriga) como quem escolhe num canil com afixo.
Resta dizer que uma família  composta por um casal homossexual com duas criancinhas adoptadas é, afinal, muito parecida com a tenebrosa e neurasténica família tradicional. Ou esta passa a ser uma maravilha apenas por que os pais  são do mesmo sexo e em vez de haver um pai a bater numa mãe há um pai a bater num pai?  Parece que sim, deve ser uma questão religiosa.

sexta-feira, 9 de março de 2012

FOMOS FEITO PARA ISTO.
DIAS DE CAÇA:

Escrito e pensado. Bala na câmara,  culatra puxada  atrás, mira feita. Como em toda  a caça grossa perigosa , se o alvo é ferido temos sarilho.
Sócrates está amoitado e, agora, ferido. Já não se trata de campanhas de jornais, cartas anónimas, insinuações. Não: o som cavo de um grande calibre é inconfundível. A acusação é política e Sócrates terá de defender-se politicamente. Esta é a novidade. E das grandes.
Espero que o ex-PM se defenda e contra-ataque. O pequeno ecossistema da política portuguesa ( uma mini-Gorongosa) não está habituado e isso vê-se no tom nímio de choque e histeria que acolheu  o tiro de Cavaco. A nossa anomia tem muitos pais e o medo do confronto é um deles.
PASSOS EM ALTA:

Em psicossociologia política (Moscovici, Hollander, etc) fala-se da consistência temporal das acções. A atribuição de credibilidade exige a percepção de que o actor político não muda de propostas consoante  as modas. 
Dito isto, Passos Coelho, na AR, esteve  muito bem: não me afasto do caminho que escolhi. As oposições  - incluindo Cavaco Silva - ainda não entenderam que esta posição de Passos é a que melhor lê  o campo político actual.
As pessoas comuns - por exemplo, as que nunca entenderão o assunto Lusoponte -sabem que pior do que  apertar o cinto é  brincar com o cinto. Passos leu bem: os sindicatos estão apertados pelas pessoas, porque, enquanto houver algum, não perdoariam aos  chefes sindicais a perda desse algum. O sentimento de estupor lento que se instalou no pais  só pede direcção e firmeza. Se Passos começa a recuar acaba no mar.
O problema  é que a situação não é de laboratório. Se Passos  insistir em reduzir a sua zona de incerteza ( termo de Crozier que pode ser entendido como margem de manobra), o pequeno desvio de amanhã pode parecer uma enorme desorientação. A ver vamos.

quinta-feira, 8 de março de 2012

"NUMA OBSCURA PUBLICAÇÃO..."
UM NOVO VALOR:

Este:  As estradas de  Portugal são um braço político   armado do anterior governo.
Estradas são "braço político armado": isto não se consegue por acaso. São precisos muitos anos  de convivência, mas também de estudo de matérias como :

1) A influência de D.Diniz no arsenal  nucear iraniano.
2)  A crítica de Ruy Belo ao mandato de Platini na UEFA.
3)  O papel  de Cunhal  na Oitava Guerra Peninsular
PARA QUE PODE SERVIR  UMA AGÊNCIA DE COMUNICAÇÃO?

Para explicar que um provedor de leitores não se deve meter onde é chamado..
OS DEUSES ME DÊEM SAÚDE :

Para que, por muitos mais livros que venha  a publicar, na horizontal  ou na perpendicular,  nunca ter de inventar uma dor de dentes súbita.
 ALTOLAGUIRRE, SEMPRE:


Manuel Altolaguirre fez parte da geração de 27 ( com Lorca, Alberti etc),  fugiu da vitória de Franco, foi argumentista de Bunuel. Málaga, sua terra natal, tem uma biblioteca com o seu nome.
O que gosto nele? A suavidade;  por exemplo, em Trino:

Quiero vivir para siempre
en torre de tres ventanas,
donde tres luces distintas
den una luz a mi alma.

Tres personas y una luz
en esa torre tan alta.

Aquí abajo, entre los hombres,
donde el bien y el mal batallan,
el dos significa pleito,
el dos indica amenaza.

Quiero vivir para siempre
en torre de tres ventanas.


AMOR AO NOVO.

quarta-feira, 7 de março de 2012

MANUAL ROSA MENDES:

O provedor do DN, segundo os agentes  de comunicação  passistas e blogues agenciados, cada vez mais elegantes e criativos,  é um judeu, um comuna, um pedófilo, um ladrão, um Dantas, um socretino.
Instrução: extinga-se o cargo de provedor dos leitores.
NÃO É WAHHABITA QUEM QUER:

Sobre o aborto: chacinas, equiparações à Shoa etc. Não  se compreende como  o autor e os subscritores deste texto entendiam a lei anterior como razoável.
À luz do texto linkado, as mulheres que abortam devem  ser condenadas a prisão perpétua ( o autor e os subscritores  não as condenariam à morte porque entendem a vida como sagrada) como genocidas que são.
Se não defendem  tal condenação,  escrevem estas coisas porque, parafraseando  Kraus, lhes falta o carácter para não o fazer.
NADA DE NOVO NO MATO:

Toda  a manhã, a TSF, com o encanto  dos muezzin, tem classificado Mitt Romney como o "mais moderado dos candidatos republicanos".
Na lingua franca da tribo , é assim: Fidel é "o carismático líder cubano", Romney é um tipo um nadinha menos pestilento do que os irmãos.

Les Midinettes



Os jornalistas-assessores, os blogo-assessores e os assessores.

terça-feira, 6 de março de 2012

TEORIA (VII):

Nos pomares,
nas hortas ascendentes
a tarde inteira foram vozes
sem quebras, sem omissões
e a crina do potro sacudiu a pastagem
palpitante de sol
sem que noite alguma viesse 
elidir o pensamento.

( "Elipse", Rui Lage, Berçário, Quasi, 2004)

É preciso evitar a substituição do poeta pela máquina electrónica de fazer poemas, dizia  Carlos  Oliveira.  E com razão, pois há tantas peças repetidas e obscenas para rematar o poemita ( as aves, os pássaros, a língua, etc, já sabem).
Rui Lage é todo campo, mas campo são, sem muitas muletas. Este Elipse começa bem, descamba  um pedacito com o potro, estatela-se com a pastagem  palpitante de sol.
Se na dignidade do verso, uma só palavra que falte impede todo o resto ( Valery), o "palpitante", feio e liceal,  é  um resto que devia ter sido  impedido.
ORA, ORA, CAMARADAS JPP E P. PICOITO:

Muito melhor do que o espanto do provedor do DN,  é este diálogo logo a seguir ao post ( ele próprio  uma delícia, uma delícia...). 
OUTRO EXEMPLO:


Wallander está para as séries policiais como The Wire está para qualquer série. A bem dizer, Wallander não é uma série, porque cada episódio é um pequeno filme, o que confere tempo e corpo.
O primeiro episódio da segunda série é magistral. Envolve a morte de um casal da zona rural ( e remediada) de Ystad, a comunidade muçulmana imigrante e um fanático neonazi. O filme consegue escapar, por milagre,  aos clichés todos. 
O exemplo é o que acontece ao inspector. Um tiro mortal e  disparado em autodefesa é alvo de crítica, censura, consternação, auto-censura e investigação. A morte de um homem não é tratada como num jogo de playstation.

segunda-feira, 5 de março de 2012

UM EXEMPLO.
GRAFISMO NOVO, ASNEIRAS VELHAS:

Do novo "Público", pp 50: "Continuamos sem saber porque quis Angola comprar a Tóbis".
Não sabemos porque, é? Lá o novinho   AO, esse não falha, como bons burocratas que são.
Dito isto, a apresentação nova é melhor do que a antiga.

INSOLITO CASTIGO EN ECUADOR



Focault e Deleuze explicam: aqui vemos o Estado exercendo a violência em nome da defesa dos interesses de um sistema tecno-capitalista .
TINHA DEIXADO PASSAR:

Imaginam  um governo europeu a decretar luto nacional pela morte de um Pinochet? Claro que não.
Já o governo português,  decretou, em 10 de Fevereiro de 1984, um luto nacional de três dias pela morte de Andropov.
O duplo padrão tem muitos pais.

domingo, 4 de março de 2012

CARLOS DE OLIVEIRA, SEMPRE:

À admiração por uma escrita  absolutamente limpa,  e pelo esquecimento que lhe é dedicado, um pequeno laço : a sua amizade pelo meu pai.
Num texto sobre todo "o escritor português marginalizado" - sofre biograficamente do complexo do iceberg: um terço visível, dois terços debaixo de água - , Carlos de Oliveira recorda,  uma  e outra vez, Afonso Duarte, o conimbricense de Ereira ( que já aqui trouxe), aposentado compulsivamente, em 1932, da Escola Normal Primária ( resta-me a poesia, essa ninguém ma tira, dizia ele a Carlos  de Oliveira).
Noutro, fala sobre a crise primordial do mundo moderno ( isto nos anos 60) e do receio de um apocalipse pouco espectacular, interno, fundado na tecnocracia - a habituação passiva ao mecanismo - e na  idolatria, a sufocante  obsessão dos objectos.

sábado, 3 de março de 2012

NA SECÇÃO PASSISTA DO DN:

Existe uma coisa boa e estimulante. Nunca se sabe  quem trabalha mais-  os de dentro ou  os de fora:


"Confesso que a resposta de Francisco Almeida Leite me deixou perplexo porque conseguiu a proeza de não me dar um único argumento jornalístico para a notícia que fez: há trabalhadores que fazem greve, pelo que é preciso dizer à população as regalias que têm os que fazem greve e os que a não fazem; há idosos que veem cortadas as suas taxas moderadoras, daí que seja necessário conhecer as regalias dos trabalhadores dos transportes. Nada mau para um argumentário político-partidário, mas que é do jornalismo?"


CELAN, SEMPRE:

Steiner assegura que Hamburger é o melhor tradutor  de poetas alemães para a língua inglesa. Não sei, mas uso as suas traduções very often. O final de Argumento e Silentio (que Celan dedica a René Char, esse sim, muito cá de casa):

For where,
but with her does it dawn, tell me,
who in the river  zone of her tears
shows the seed to submerging suns
again and ever again.
 PSICOLOGIA DA CRISE (III):

Argentina, 2001. A 30 de Novembro  começa a corrida aos bancos. Fernando de la  Rua, o presidente, impõe um tecto máximo de 1.000 dólares /mês para os levantamentos individuais. A 14 de Dezembro começa o saque de supermercados; a 19,  Domingos Cavallo, o ministro das Finanças, demite-se  e é declarado o estado de sítio.  O presidente cai  a 30.
Esta sequência mostra que as pessoas suportam menos a perda da autonomia do que a escassez. E mostra, também, que o respeito pelas normas, mais do que pelas leis, desaparece quando a autoridade externa se  intromete na vida mais privada que há: a das economias de cada um.
Por fim, as demissões são naturais. Quando as pessoas ditas normais saqueiam depósitos de alimentos, aos chefes da tribo é passado um atestado de impotência. O facho cai.

sexta-feira, 2 de março de 2012

OS LIMPA-CHAMINÉS:

O Público, por exemplo,  faz uma  pequena chamada  na página 11. Com o mesmo destaque que daria  a uma trovoada em Falorca de Silgueiros.
PSICOLOGIA DA CRISE (II):

As situações-limite, entre outras amenidades,  envolvem muitas vezes problemas de escolha. Como diz o povo, um problema de manta curta: se tapamos a cabeça, descobrimos os pés.
Na Grande Depressão, o Bonus Army foi um bom exemplo. Em 1924, a American Legion conseguiu fazer passar uma lei que garantia a todos os veteranos da I Guerra uma compensaçao de um dólar por cada dia de serviço prestado. O dinheiro seria  posto a render até 1945, altura em que cada veterano receberia então , em média, cerca de 1.000 dólares.
Quando a crise começou , um congressita  do Texas  resolveu propor a antecipação do bónus. Depois de alguma hesitação, a proposta foi aprovada em 1931. Hoover não queria pagar o Bonus Army, porque não havia dinheiro nos cofres, mas muitos veteranos diziam que  o presidente ganhava 75.000 dólares por ano e não ajudava veteranos desempregados que nem um dólar tinham no bolso.
O resto da história  reza da marcha sobre Washington, do cerco ao Senado,  muita tensão e mais um episódio da Grande Depressão, mas a lição deve ser retida.

quinta-feira, 1 de março de 2012

E MUITO BEM:

Com tantas malfodidas e   pervertidos abusadores de menores, eu diria mais: subsidiem, estendam uma rede nacional, façam preços especiais para grupos.
Se os jornalistas, os viracasacas, os censores e os deputados de carreira se organizam em guildas, por que não as putas?
DE VENTO EM POPA:

A mania da perseguição não é exclusiva dos paranóicos.
MOITA CARRASCO (II):


O Correio da Manhã não está a fazer nada de novo  relativamente  a Sócrates. Aqui há coisa de uns meses, tentou, com a ajuda dos bloggers do costume, inventar um escândalo acerca dos estudos franceses do ex PM. Na altura dei conta da minha  estranheza diante de do trabalho de alcagoitas tão excitadas, mas parece que era de mau tom dar publicidade à coisa. Estive-me nas tintas.
Agora, o CM publica uma série, mais enfadonha do que o futebol do FCP*, de conversas nas quais  não se bispa nada de relevante. Já dizia Kraus:  os jornais estão para a vida real como o Tarot para a metafísica .
Resta que estes inteligentes estão a fazer um belo frete aos que querem desacreditar por completo as escutas como meio de prova do que quer que seja, mas isto  não lhes belisca o besuntado  bestunto.

* "salvar o engenheiro" de quê? Que  imbecilidade.

MOITA CARRASCO...
NÃO EM COIMBRA:

Os estudantes em dificuldades  devem ser poucos. Os bares estão sempre cheios, a última Queima foi a melhor de sempre, o curso do meu filho mais velho já fez  cinco ( 5) jantares de curso : o último foi "de Carnaval".
Bem, cortar a A1 sempre é mais divertido do que ir às aulas.