sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Lá como lá

Quando Epidamos declinou, o partido democrático derrubou o partido aristocrático, que foi aliar-se  aos estrangeiros que fustigavam a cidade -  tanto por terra quanto por mar ( Tucídides 435.3).
Epidamo era uma colónia de   Corcira, mas fora fundada pelos Corintos. Isto deu uma das mais famosas trapalhadas da Guerra do Peloponeso ( entre colonizadores,  fundadores e respectivos e poderosos aliados), mas podia ser ensinado nas universidades aos alunos de estudos pós-coloniais. Sempre   passariam a compreender que não foram os terríveis impérios europeus da Expansão que inventaram  o sistema.
Ainda assim, o que me interessa é o carácter mental do processo de colonização. Há muitos anos, um empresário francês instalou-se no Brejão.  Os habituais aldrabões-intermediários  locais  enriqueceram, o empresário não perdeu um tostão, enfim, o normal. O Brejão é uma terra  colonizável? Talvez. Conheço-a bem. No início da recta, um café pequeno e escuro vende conservas e um pão que dura dez dias.  Para  a esquerda, mar e casas  remediadas, miúdos  saídos de um documentário sobre uma aldeia  boliviana. Para a direita , pastagem e mais pastagem.
O Brejão não tinha aliados ( nem Esparta  nem Atenas nem o Estado português) ou inimigos. Aceitou o  francês como teria aceitado um bielorusso.

RTP Memória

Em vez  de 250 milhões / ano e mais uns grossos  trocos, os 140 que já pagávamos. 
Optima decisão do governo. As namoradinhas de Portugal que ganhavam 30.000 euros/mês para espirrar em público, as cavalgaduras que arranjavam pretextos para despedir quem incomodava o angolano  Eduardo dos Santos e  bidés como estes, podem todos ir trabalhar para as obras.
O melhor canal, o RTP Memória, que continue  a disponibilizar o arquivo. Para que não esqueçamos.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Rui Ramos, Burckhardt e a chave Loff






Este senhor gostava da  História como uma literatura imaginativa e como um esquema do todo ( Gesamtschilderung), mas isso não o impediu  de ser, ainda hoje é, uma inspiração sobre os hexâmetros de Navagero ou as façanhas políticas  dos Este de Ferrara.
Rui Ramos  tentou imaginar, esquematizar. Não pode. Não tem permissão. Proponho então a chave Loff, que explica a verdadeira visão da História - a das televisões, da TSF, dos jornais e de alguns ( nem todos) blogues de esquerda. Por exemplo:

Salazar: ditador  fascista
Fidel: Líder histórico.

ou

Comunismo: uma generosa utopia por vezes com erros
Capitalismo: a barbárie.

Por outro lado,  Claudio Torres  diz  há muito tempo  que nunca houve invasão islâmica da Península.  Os mouros foram convidados ( e desconvidados, presumo, depois  de Poitiers) porque os reis visigóticos não se entendiam e os bárbaros foram os porcos cristãos ocidentais que os expulsaram. Claro está que mete o Iraque  e o Grande Satã americano ao barulho,  numa exemplar demonstração daquilo para que serve o revisionismo.
A direita  historiadora alguma vez mexeu uma palha contra  esta  ( e outras)  cretinices? Não, porque é preguiçosa. Bons tempos os da Futuro Presente ( o número sobre Margaret Mead é de chupeta) , animada por Jaime Nogueira Pinto, Borges de Macedo etc.
Ficamos assim.




Ou assim, sobre Loff e os que os citam, acoitando os métodos:

" 3º passo – a concluir, como eu era, hipoteticamente (o que, aliás, é falso!), contra as relações sexuais com maiores de 16 anos, vai de meter ao barulho a Fox TV, a invasão do Iraque e a destruição à marretada de carros franceses…  


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Uma história do passado

Só faltam os médicos dentistas, não é?

Prever a tempo o cogumelo venenoso

Antes tarde que nunca. Já o escrevi, mas  um provinciano anacoreta tem menos eco. O processo é bem visível no laboratório dos blogues.
No que toca ao osso, JPP faz o mesmo relativamente a outros assuntos. Quem concorde com uma medida, ou com  uma parole, do governo, é arrumado na casta dos instalados e/ou dos que lucram com  a crise. O caso do acordão do TC sobre os cortes dos subsídios  foi exemplar.
Isto é história do futuro  porque repete-se vezes sem conta e parece sempre novo. Carlos de Oliveira  ( Finisterra) descreve muito bem o processo: Os quistos devem ser extirpados. A comunidade elimina-os, não os deixa degenerar. Legítima defesa. Prever a tempo o cogumelo venenoso.


terça-feira, 21 de agosto de 2012

Vamos matá-lo e depois adorá-lo como nosso santo padroeiro




É Burckhardt que conta  a história. Havia , talvez em Siena, um oficial que  livrou o povo da agressão estrangeira. Todos as semanas se reuniam para decidir como recompensar  o homem, mas nada parecia suficiente ou justo, nem mesmo fazer do homem Senhor da cidade.  A página tantas, um cidadão lembrou-se: vamos matá-lo e depois  fazer dele santo padroeiro da nossa amada cidade.
Quando mostrei este vídeo à minha filha, ela analisou: coitadinhos dos cães.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Quem é o pai do Diabo?

Ao fim de algumas voltas , lá consegui  adquirir as Farpas Esquecidas. São textos publicados em  O António Maria e  que  não foram editados na edição original ( e em muitas das posteriores) de As Farpas. Dois ferros  de Ortigão sobre a Igreja merecem orelha:

Quando relata o que o padre da Igreja da Encarnação, no dia 8 de Dezembro de 1880, disse às suas ovelhas: " Bem aventurados os que não sabem ler nem escrever, porque os livros modernos pervertem a consciência dos homens". Ortigão andava de lado com a mania de libertar pela civilização a raça preta, porque sabia que o que se pretendia era  a catequização dos pretos.  Daí a história do preto que pergunta a um clérigo que o catecismava quem é que vinha   a ser o pai do Diabo.
Ora, a zorra de Ortigão contra o ódio aos livros  aplica-se hoje: o Meo ( que tem uma discoteca ilegal em Portimão  da qual faz publicidade à vontade), a televisão,  os pais, o telemóvel, o facebook e muitas outras formas de religião popular afastam  a gente dos livros. Os regimes salvíficos  ( o soviético, os islâmicos e o nazi, por exempl,  também entendiam ( os islâmicos ainda entendem)  que muitos livros eram prejudiciais aos bem aventurados. Por que motivo é sempre a Igreja  a alombar com a acusação é mistério insondável.
Noutra farpa, Ortigão  conta que o governador civil de Évora resolveu, por alturas de Março ou Abril de 1881,  dissolver a filarmónica denominada Alunos de Minerva e mais: apoderou-se dos instrumentos. Ortigão  compreende a elasticidade do Código Administrativo e do Código Penal na caça aos adeptos de uma deusa pagã, mas recusa o confisco:

"Porque nós conhecemos  os instrumentos de Évora tão intimamente como lhe conhecemos o pão de ló e sabemos que quando eles tangem, tangem pelo Todo-Poderoso ou pelo Sr. Deputado do círculo".

sábado, 18 de agosto de 2012

Como uma bola colorida nas mãos de uma criança

A civilização dirige-se para algum lado, isso é certo. É comum à esquerda e à direita o argumento da dinâmica civilizacional. À esquerda usa-se recuo civilizacional, à direita usa-se um duplo registo: ou regresso à selvajaria  ou destruição da dita civilização.
Horbiger foi aproveitado pelos  nazis ( eterno  retorno,  conspiração judaica da relatividade  de Einstein etc):


Hitler's fatal confidence in the success of his troops on the
Russian front during the 1941 - 2 winter is generally believed to
have been a result of his misplaced faith in Horbiger's weather
forecasts. Despite such setbacks, the Welteislehre managed to
thrive even after the war. The popular speculations of Immanuel
Velikovsky derive in part from Horbiger. In 1953 a survey conduc-
ted by Martin Gardner showed that more than a million people in
Germany, England, and the U.S. believed that Horbiger was right.6
  The Horbigerian cosmology posited an early epoch, some fifteen
million years ago, during which a hugh moon moved across the 
sky very near the earth. Its gravitational attraction gave rise to a
race of our ancestors, the giants. These giants, which appear in
the ancient Norse and Icelandic sagas, sleep, yet they are alive.
To the Nazis, they were Supermen. In one set of myths, contained
in the Nibelungenlied, they lived beneath Teutonic mountains. In
another they were prototype Aryans from the East, inhabiting VAST
Tibetan caverns.
 
 Encontre no debate o eterno retorno e o grande gelo: 

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Campanhas de dinamização cultural.



Seguindo o futuro passado de Parambos, quis arranjar imagens de uma acção de  campanha de dinamização cultural do MFA em Calvelhe ou noutra aldeia transmontana, mas fique-se com esta, no Alentejo. Note-se que "o homem não pode viver sem a mulher e a mulher sem o homem", o que hoje enviaria este militar para o panteão dos homofóbicos.
Em 1975, Zeca Afonso, Francisco Fanhais e Luís Filipe Rocha ( realizador, para os mais novos...), visitam*  Minas da Ribeira, em Trás-os-Montes. Zeca Afonso  compõe uma canção em memória de dois mineiros presos pela PIDE. A última estrofe mostra que a ideia  era transformar o camponês num actor central da revolução, num sujeito activo e  motor  da sua própria  história:

"Entre Parada e Coelhoso
Ainda reina a opressão
Não deixem fugir o melro
Não quebrem a vossa união".

 

* Sónia Véspera de Almeida, Camponeses, Cultura  e Revolução - Campanhas de Dinamização Cultural e Acção Cívica do MFA ( 1974-1975),  2009, Ed Colibri, UNL,



quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Leões Esquecidos - Parambos (2012)




Deirdre  McCloskey diz que foi a Bourgeois Revaluation que fez a Revolução Industrial. Inovação, risco lunático, poder dos ricos, equilíbrio entre dignidade e liberdade. Nada de capitalismo, exploração  colonial, Braudel etc. 
Muito há para escrever sobre os Parambos ( ou a minha  Posadas do "Mau-Mau"), muito para compreender. Metade do país  vive do passado, entre couves e olivais secos, sim, um lugar comum. O que será único é projectar estes Parambos e Posadas na história do futuro.  Lê-los num i-pad, smartphone, tablet e assim.
REDEFINIÇÕES:

1) Depois de uma excelente experiência no Corta-Fitas, regresso a solo. Em articulação com  a revista Ler, trabalharei uma história do futuro.
2) O Droga de Política encerra devido à falta de interessados, mas continuarei a publicar aqui textos sobre a história das drogas e a acompanhar as aventuras do narcotráfico.
3) Um blogue terapêutico arranca em breve.

domingo, 29 de abril de 2012

AVISO:

No próximos  meses este  blogue ficará calado. Uns projectos para acabar.
Estou, talvez, receptivo a convites para colaboração noutras casas,  o que sempre exige menos presença diária.

A VIDA COMO DEVIA SER (XII):

Se o desejo é a distância tornada sensível ( Blanchot),  suponho a separação como o desejo  tornado insensível. E o que acontece  quando a separação é forçada?
Será  a insensibilidade à distância, arrisco.

sábado, 28 de abril de 2012

FOI SÓ ESPERAR:

Um bocadinho para registar que os novos governantes começaram  a usar o linguajar do novo paradigma. A única diferença  reside no silêncio dos que dantes, no tempo de Sócrates,   se riam com este dialecto.
Os analistas políticos são  a trupe residente do circo de pulgas.
A EXPLICAÇÃO HABITUAL:

Nasceram em bairros problemáticos, não tiveram pai nem  Nestum com figos.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

NÃO ADIANTA:

Porque já  não há jornalistas,  só comissários políticos.
TEORIA (XX):

Cristovam Pavia, vulgo Francisco  Bugalho. Outra vez.
No último número trouxe Corazzini, que trabalhou entre os 17 e os 21 anos. Pavia, diz Fernando Martinho ( o organizador da edição completa), atingiu a maturidade aos 19 anos.  Ambos tiveram mortes doentes e dolentes.
Pavia, como Corazzini,  é um deprimido profissional. Na "Consolação para um tempo incerto":

Há-de haver sempre meninos a chorar ao pé do cão morto.

A sua  poesia  domina, no entanto, o temple certo. Quase nunca descamba para a autocomiseração, porque escolhe a síntese, evitando que o poema  pareça um garrafão de azeite. Por exemplo, uma tangente bem tirada:

Ter meus dias sempre cinza.
Desfolhar sempre as mesmas flores cansadas.
Dormir.


QUE NOME  TENEBROSO:

Se houver récita, ainda mais tenebroso. Pobre poesia.
E  Isto é ainda pior: como dizia Kraus, ouvir um poeta é como ver um cozinheiro comer.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

"DIANTE DE CENTENAS DE PESSOAS"*:

Já se sabe que sempre que a direita está no poder não há legitimidade. É um clássico.
Sabemos  agora que os burgueses preocupados com  Abril em perigo não resistem a uns pingos de chuva. Só que já lá vai o tempo em que a política portuguesa era decidida  por meia dúzia de lunáticos lisboetas que dedicavam  a abriladas, vilafrancadas, belenzadas  etc.
E se o tempo teimar em chegar, a gente apressa-o.

* Impagável, a TSF não refere "as centenas de pessoas" nos seus noticiários. Já na descrição  de um encontro  com Cavaco, a jornalista ( enfim...) não se esqueceu de sublinhar: "A chuva afastou  as pessoas e foram poucas as que se dirigiram a Belém".
FASCÍNIO:

Pelos vira-casacas. Como Baudelaire tinha pela bêtise
Ontem vi Mário Crespo, outrora  adepto da fractura e da discussão sem tréguas, no seu telejornal,  sorumbático e preocupado com a falta  de coesão  produzida pela birra dos abrilistas .
A RELIGIÃO CIVIL E O DINHEIRO:

Como recorda  Otelo ( Alvorada em Abril, pp 127-136), o movimento dos capitães nasceu  do decreto-lei 353/73. Os oficiais do QP foram ultrapassados pelos  milicianos em soldo e regalias e assim a guerra não vali a apena. O resto da  história ( também)  é conhecido.
O  conteúdo fantasmático de Abril  assumiu este ano , e definitivamente, o estatuto de religião civil ( como a arte nas antigas cidades helénicas). Sempre houve sinais  - quem não se recorda da caça. noutros anos, a quem não levavava o cravo vermelho na lapela para as  cerimónias na AR? -, mas agora há presença.
O que estimulou mais, este ano, os sacerdotes de Abril, como no passado estimulou os capitães -  foi o dinheiro. Parece estranho mas não é. Num Portugal  de spa's, BMW's a pataco e férias em Varadero, os sacerdotes teriam muita dificuldade em acordar o pressuposto cripto-messiânico de Abril. Num Portugal amordaçado, a memória de um golpe administrativo transformado numa  incubadora de teóricos marxistas e Che's de ceroulas, tem muitas hipóteses de sobreviver.
Borges perguntava , sempre que o informavam,  se  dada  revolução  tinha bandeira e chefes políticos. Quando lhe diziam que sim, ele respondia que então não era uma revolução. É uma religião civil, acrescento.

terça-feira, 24 de abril de 2012

O GRANDE SANTOS SILVA (II):

Há pouco, na TVi24.
Insuspeito de fassismo, esmagou a querela do dia: o 25 de Abril não é uma  marca registada, a cerimónia de amanhã não é do governo, é do parlamento do povo,  e a polémica só nos desvia  do que devíamos  discutir, a saber, como evoluímos  nestes 38 anos.

O GRANDE SANTOS SILVA:
"Agora que estou outra vez a tempo inteiro na sociologia, tem-me dado para imaginar hipóteses corroboraráveis em investigações empíricas. Tenho uma para oferecer, hoje, a quem quer que esteja interessado em compreender este facto aparentemente surpreendente: caíram a pique os apoios públicos à criação artística nas artes do espetáculo (38% de corte nos apoios pluarianuais, 100% nos apoios pontuais,... muito menos dinheiro nos teatros nacionais para programação própria e coproduções) e caiu também a pique a contestação pública, designadamente dos artistas e suas associações, a esses mesmos cortes.
A hipótese é a seguinte:
A contestação dos artistas à política pública de apoio à criação artística é tanto maior:
1. Quanto maior for o financiamento público envolvido nesse apoio;
2. Quanto mais evidente for o discurso político de defesa desse apoio;
3. Quanto menor for o peso, no discurso dos responsáveis políticos, da estigmatização dos artistas como subsidiodependentes;
4. Quanto maior for a importância concedida, no discurso e na organização dos governos, à cultura;
5. E, "last but no the least", quanto mais estranho for o ou a responsável política ao "milieu".
O que seja o "milieu" é tema que vale uma nova meditação".
SEM VERGONHA;

Desde o 25 de Novembro que Abril está em perigo. Em 1994  exibia-se esta faixa  a pedir liberdade.Em 2004 Abril estava em perigo devido  às forças reaccionárias no governo. E por aí em diante.
Com uma esquerda  caquética  e pomposa e uma extrema-esquerda*  orfã de Beria e Pol-Pot, é uma sorte Abril estar vivo.

como este exemplar,   entusiasta da matança síria e dos esbirros - de Teerão - que prendem advogados, jornalistas e bloggers,  mas muito  democrata  em Lisboa. Sem vergonha  na cara.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

JÁ NÃO HAVIA PACIÊNCIA:

A Islândia vai deixar de ser citada por meia blogosfera especializada em Sócrates.
DE FACTO, MISTERIOSO:


"Desconheço, em absoluto, o curriculum deste candidato a juíz do Tribunal Constitucional. Mas, já que os partidos do governo assumem que o seu perfil e curriculum não é o mais indicado para aquele lugar, atrevo-me a perguntar: qual o curriculum e perfil de Maria da Assunção Andrade Esteves, hoje presidente da Assembleia da República, quando, aos 33 anos de idade assumiu idêntico cargo?".

De um comentador do Público à notícia da insistência do PS em Conde Rodrigues.
 De facto, Assunção Esteves  foi nomeada para o TC sem curriculum, público e notório, assinalável:  apenas dois anos de  deputada, recém-estreada na docência e  um título de basquetebol .

A ler também ( JPP):

Os partidos políticos, em particular os da área do poder, continuam a ser a máquina mais poderosa para a ascensão de carreiras baseadas na dependência, na confiança política, e na troca de favores. Do Tribunal Constitucional às “comissões” destinadas ao “aconselhamento” (que podem ser grátis, mas que são o degrau para cargos bem pouco gratuitos), dos gabinetes às encomendas de serviços de marketing, publicidade, “influência”, mil e uma oportunidades continuam a existir nos partidos e na sua “zona de conforto.”
ENTÃO?

Este silêncio deve estar a preparar o avanço de António Costa. Estou com vocês.
POIS ACHO QUE REFLECTE:

Actualmente, à esquerda  de Seguro é tudo fascista, a economia está caótica, o povo está na rua, Otelo faz ameaças todos os dias.
a juventude universitária não se poupa a gastos, por isso Vasco Lourenço terá de esperar que passe o efeito da cerveja para  a mobilizar.
 NADA MUDA:

Diz o Eduardo:

Já a extrema-esquerda é boa, e pode ajudar Hollande. 
Que  a extrema-esquerda francesa seja uma história de cumplicidade ( e adoração) com alguns dos piores canalhas, e dos seus regimes,  do século XX e despreze a democracia burguesa, isso não afecta o país de Racine. Talvez o de Aron.

domingo, 22 de abril de 2012

AMOR, AMOR, AMOR:

1) Zaza, que era mulher mas agora é homem, e viu na TV o caso do americano e também quis, doou o seu esperma a Marina, que está casada com Rafaela. A gravidez corre amorosa. Ambas planeiam uma viagem à Califórnia para a obtenção do próximo filho. Leram o caso da psicóloga e da sua mulher que conseguiram obter um dador de esperma de forma a que  a futura criança fosse surda, alcançando assim uma continuidade cultural com as mães, ambas surdas. Marina e Rafaela querem que o segundo filho seja culturalmente zarolho.

2) Renato  e Bruna Marta viviam juntos há um ano. Ela engravidou porque o caniche Tareco, a alegria da casa, morreu e Bruna Marta sentia um vazio ao nível do coração. Ainda grávida, Bruna Marta não gostou de ficar gorda  e deprimiu. Rui precisava  de espaço mental e mudou-se para casa da dos pais.
Quando o bebé nasceu, o casal divorciou-se a bem de todos e assim  o pequeno  Micael terá afecto a dobrar porque terá duas casas em vez de uma.


A VIDA COMO DEVIA SER (XI):

Ama o teu próximo como se ele te fizesse falta.

sábado, 21 de abril de 2012

TEORIA (XIX):

O poema é  um signo autónomo, para usar a proposta de Mukarovsky para a arte em geral. Quando é bom, sim: um poema desses engloba tudo, não tem referente específico, tanto faz ter sido escrito  há vinte séculos como ontem.
Um autónomo-simples  de Nemésio:

Quem não tem casa sua
Faça da noite pedra
Ou talhe o seu coração
Que já não dorme na rua.

E um super-signo de Ungaretti, o poema mais  curto do mundo:

M'illumino d'immenso.



sexta-feira, 20 de abril de 2012

Córtex Frontal: Angola fala em português no Conselho de Segurança

FERRO DE PALMO:

Medeiros Ferreira: "Angola fala em português no Conselho de Segurança".
Ou a arte de dizer tudo sobre o inglês do conservador e patriota   dr.Portas.
PIOR É DIFÍCIL:

A pagina da jogos da Santa Casa era boa e  funcional. Agora fizeram uma que é confusa e , estupidez das estupidezes, não funciona. Podem limpar as mãos à parede.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

"NÓS, RESISTIR? QUE IDEIA?" (okupa  à RTP1, hora de almoço):


Esta é a parte divertida. A deprimente é o efeito parasitário, excitado-adolescencial, dos revolucionários do teclado. Exceptuando as tradicionais arruadas no Chiado ( vêm aí mais duas nas quais a polícia devia não comparecer para depois os amigos jornalistas filmarem o desespero onanista  ou as montras escavacadas),  limitam-se a comer fora.
Ou seja, em todas as fábricas e empresas onde  as massas estão a ser impedidas de ganhar o pão, esta  pequena burguesia agitprop não está, não se interessa. Razão tinha Trotsky,  o  sectário vê a vida como uma grande escola na qual ele é o professor.
ANIMAIS DE TODO O MUNDO, HUMANIZEM-SE.
NÃO APAREÇAM:

Amanhã, a partir das 18h,  estarei na Bertrand de Aveiro, a convite da Anabela Mota Ribeiro, para discutir livros com o Richard Zimmler e a Ana  Luísa Amaral.
A DIREITA TRADICIONAL  DA FAMÍLIA E DA PROCRIAÇÃO:

Entende que os filhos não contam para o cálculo de taxas moderadoras: se uma mulher ganha 630 euros por mês, tanto faz ter  cinco filhos como nenhum .
VIVIFICANTE:

O professor , e usando apenas a  sua versão, é psiquiatra ou psicólogo? Que  formação tem para tratar medos?
E mais: imaginem que o professor fazia exercícios, uma vez que é muito criativo, para tratar comportamentos homossexuais? Era lindo era...
E REGULOU A COMUNICAÇÃO SOCIAL:

O duo centésimo alerta para o perigo que corre a democracia, muitas aspazinhas, bolds gritantes, avisos disparatados metendo a Guiné. Um terramoto? Não: um juiz associado ao PS foi beliscado.
Tudo bem embrulhado em crítica mediática, claro.
RECORDAR O SIMPLEX DAS LEGISLATIVAS DE 2009:

Qual crise? Aqui. Um pouco antes,  está um post de JPC que fala de uma  crise  avassaladora.
Estivemos muito bem orientados, sem dúvida.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

SUPERARAM, SUPERARAM...

Desde que Ceausescu, também em solidariedade com a opulência romena, abatia os elefantes da Reserva de Maputo,  de metralhadora e a bordo de  um helicóptero.
TEORIA ( XVIII):

Io amo la vita semplice delle cose.
Quante passioni vidi sfogliarsi, a poco a poco,
per ogni cosa che se ne andava!
Ma tu non mi comprendi e sorridi,
E pensi che io sia malato.

Corazinni( 1886-1907) morreu com 21 anos e parece -  parece, notem - o modelo do poeta   desolado, autocomplacente,  solitário. Fez parte da  avanguardia storica, o futurismo italiano.
Leiam outra vez. porque estes versos auríferos, publicados no Piccolo libro inutile ( 1906), são de um poema que começa com "io non sono un poeta". Foi sim senhor.

terça-feira, 17 de abril de 2012

TABACO (I):

Para mim, razoavelmente versado e documentado na História da proibição dos narcóticos,  a proibição tabágica apresenta vários aspectos de interesse.
Comecemos  por um voo de pássaro. Tanto o projecto filipino ( a primeira experiência de proibição do ópio na sociedade moderna, uma vez que os éditos imperiais chineses  afectaram parte de uma amálgama feudalizada) como o Harrison Act - e a Prohibition-  assentaram num texto limpo: o objectivo era extinguir um hábito.
Como é sabido, as políticas anti-tabágicas têm apresentado uma configuração táctica diferente: são sempre explicadas como a defesa do não-fumador. É óbvio que,  e já o escrevi muitas vezes, quando se apaga o charuto da fotografia de Chrchill, toda a a gente percebe que a bota não bate com  a perdigota.
Esta táctica leninista  do salame, igual à que os ideólogos LGBT usam ( começam por exigir um mero direito civil, que é o casamento, para depois exigirem os direitos supostamente  conexos, como a da parentalidade),  é tudo menos limpa, claro. Falta saber o motivo da sua utilização.


(cont.)
A VIDA COMO DEVIA SER (X):

Para que o tempo tudo cure, a ferida tem de ser profunda.
Para as  que estão à pele, o tempo é vento gelado.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

SE FUE DE CACERIA:

O Rei de Espanha é caçador desportivo e por isso caça. Óbvio. É presidente do WWF e caçador desportivo. Óbvio. Os melhores conservacionistas são os caçadores desportivos: têm todo o interesse em manter a fauna bravia e são eles que a sustentam ( e sustentam   as populações ao redor das reservas).
O argumento da inoportunidade é puníceo de tonto. Como os citas  julgam que preservar a fauna  bravia é encurralá-la em parques vedados  para  a colocar à disposição de parolos dentro de jipes, qualquer ocasião para caçar elefantes é considerada inoportuna.
Resta o detalhe da solidariedade, numa altura em que os espanhóis vivem um aperto.  Ignorância. Nunca um rei deixou de viver no luxo  ( é o outfitter  de Juan Carlos) só porque o povoléu tem fome ou passa aperto. Seja em Espanha ou em África, onde os reis se chamam presidentes.
O COMPLEXO DE ADÓNIS:

Sócrates está longe e calado há um ano, mas existe uma falange escrevente da actual maioria que pula e avança  quase todas as semanas. Por causa de uma capa do CM, de uma reunião  de deputados do PS, de uma estatística, de qualquer coisa.  Não é o PS que tem um problema com Sócrates.
O ex PM é recordado com esta insistência, porque a energia da  nova maioria está a esgotar-se. Não se trata tanto de um bode expiatório, antes de um contramodelo.O complexo de insegurança  reside neste ponto.
De certa forma, enquanto a memória negativa de Sócrates perdurar, existe a esperança de uma benevolente apreciação do fracasso ( medido pelas promessas que fizeram, entenda-se) do actual poder político. O problema é que Sócrates não responde aos Adónis desesperados.
BREIVIK:

Tão lúcido  como Truman ou  Estaline.   A saúde mental não depende do motivo da acção nem da inocência das vítimas.
Para  sermos loucos, temos de viver num mundo criado por nós e no qual nascemos todos os dias.

domingo, 15 de abril de 2012

ANOMIA, PORTUGAL  E "TRABALHO IMATERIAL":

Aí em baixo, um pedacinho disso, da autoria de Francis Alys. Interessei-me  por ele por causa da investigação que fez na fronteira mexicano-californiana. A expressão trabalho imaterial é de Lazzerato.
A fronteira,  a marcação, é sempre atractiva. Alys usa em alguns trabalhos um lápis verde que vai, provocador, fazendo passear pela ordem actual. Nas relações  dizemos tantas vezes estás a passar  os limites ou pisaste o risco.
Agora imaginem um Alys saltando de casa em casa com um lápis verde-mágico  na mão. Vai desenhando e apagando os tais limites, desfazendo riscos. O resultado deve ser uma forma qualquer da comunidade inconfessada ( estudada por  Blanchot) : existimos porque o outro não existe. E , sobretudo, se não conhecemos o risco - ou o limite -, a imobilidade é o resultado mais previsível.
Aplicando à  política, talvez estejamos diante de uma explicação para  a anomia portuguesa. Para além de termos a sensação de estarmos  a produzir trabalho imaterial: como refilar, protestar,  defender,  lutar,  se um lápis mágico redesenha  todos os limites e riscos a todo o momento?


Nota: uma descrição do trabalho de Alys aqui.

Francis Alÿs: A Story of Deception, On View at MoMA

sábado, 14 de abril de 2012

A VIDA COMO DEVIA SER (IX):

A autoridade irradia de casa para  o exterior. 
Não conheço ninguém que domine o cão no jardim e  tenha os tapetes e os cortinados  roídos.

Airports and Broken Hearts by Walter Benjamin

Airports and Broken Hearts by Walter Benjamin

( via Pedro)
A VIDA COMO DEVIA SER (VIII):

O persistente teima em emendar os erros, o teimoso persiste neles.
NEM MAIS:

Faz-me lembrar os franceses. Quando lá vivi, divertia-me o orgulho exacerbado que tinham  na língua ; à mistura com o parking,  pressing,  steak au frites etc.
A VIDA COMO DEVIA SER (VII):

O sono depois da diversão é polido e recomendado.
Se for de manhã ou numa casa de banho pública? Ainda com mais razões.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

A VIDA COMO DEVIA SER (VII):

Perder é sempre revigorante: queremos  mais aos que ficam e cremos menos nos que não precisamos.
TEORIA (XVII):

Fiama ( Epístolas e memorandos, 1996), escrito para  a morte de  Carlos de Oliveira:

Os amigos que morrem são arbóreos,
plantados  e memoráveis como freixos.
Têm uma única forma  até à morte,
próximos do Sol, que torna as outras
árvores  mais ténues que os isolados freixos.

Na Colóquio Letras há um texto de Fiama sobre ele, mas prefiro os versos. Como vêem, pode usar-se árvores se for como deve ser. 
Oliveira era uma oliveira, Fiama uma faia.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

BABY MONTY PHYTON:

Antonio Costa nega ter sido impedido de visitar a MAC a convite de alguém a quem a MAC nega ter capacidade para efectuar o convite que a MAC adianta não ter sido pressionada para recusar.
Os caniches suspiram de alívio ( atenção  aos tapetes) e alguém na RTP vai ter de arrumar a secretária.

curiosity (almost) killed the cameraman



ooopssss...
A VIDA COMO DEVIA SER (V):

Pousar o livro, apagar o candeeiro, ajeitar a almofada e dizer: só sono.
SECRETÁRIO GERAL DO FUTURO PS IMPEDIDO DE VISITAR  A MAC:

Resta saber se algum olheiro também acompanhou a inversão de marcha do carro oficial  e o que dirão os ex-preocupados com o fascismo amordaçante ( A.Barreto, Pedro Lomba etc).


adenda: já versão oficial, foi um equívoco.
A ESQUERDA NO PODER DESPREZA SEMPRE A SEGURANÇA:

E  faz reuniões  a discutir questões fracturantes. Se fosse com o CDS-PP outro galo cantaria.
A PROTECÇÃO DA JUVENTUDE:

O Freitas tem 14 anos. Na cantina da escola já não come batatas fritas, o pai já não fuma no carro quando o leva à dita. A Rafaela,  a irmã, tem 17. Toma a pílula, foi vacinada para  a prevenção do cancro do colo do útero e a mãe já não fuma na sala quando as duas vêem as séries da Fox.
O Freitas embebeda-se todos os fins de semana e desenvolveu um gosto peculiar por vídeos de sexo com crianças. A Rafaela  fuma dois charros diários,  fez um aborto antes de começar com a pílula e já faz sexo oral aos amigos com bastante desenvoltura.
Ambos sabem tudo sobre vampiros e o Titanic. Sabem  que Diogo Cão é uma raça e que os miguelistas são os seguidores do Miguel no facebook.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

DO PODER:

Com 59% de chumbos, os media não conseguem contactar o presidente da Comissão Nacional de Avaliação, da Ordem dos Advogados, o dr.Pedro Delille.
Talvez usar uma forquilha.
CDS-PP:  CENTRO DE DESENVOLVIMENTO SOCIALISTA- PROLETÁRIO POPULISTA. 
Os ladrões já não roubam, as fracturas já não incomodam e os impostos eram poucos.
TEORIA (XVI):

Cedros  e ciprestes. Um chefe de fila do neoclassicismo italiano e um não-reconhecido símbolo do saudosismo-modernista luso. Trocando por miúdos, líricos do tempo do comboios.
O italiano Carducci, nas Nuove Odi barbare ( 1882):

Solenni in vetta a Monte Mario stanno
nel luminoso chetto aere di cipressi
e scorrer muto per i grigi campi
mirano il Tebro

O português  João Lúcio, Na asa do sonho ( 1913):

Uma clareira. Em volta , os cedros  a cismar
de hábitos  negros como os monges a orar.
Sobre mármore, ao meio, um repuxo cantante
perfurando no ar a coluna brilhante.

Voto em Carducci, no " o ar é quieto em volta dos ciprestes"e em Lúcio, nos "cedros   a cismar".
SEMI-RECTIFICAÇÃO:

Escrevi "ou". O Adolfo Mesquita Nunes já não está vinculado ao escritório de advogados. Presta consultoria e registou essa prestação no parlamento.

terça-feira, 10 de abril de 2012

O MÉTODO JDANOV:

Agora, Mário Crespo abre o seu telejornal com declarações  quase em directo do PM. Depois, começa a entrevista a Pedro Reis, presidente ( nomeado pelo actual governo) da AICEP:"- O senhor fez  hoje uma declaração quase coincidente com a do PM...".
 Cuidado com o quase: pode ser entendido como tendência formalista e subserviente à cultura oposicionista.
OS FIFI*:

O CDS-PP não quer barulho com os temas fracturantes. O CDS-PP também já não faz barulho com a criminalidade, com a insegurança, com a gatunagem. O CDS -PP só quer saber de votos.
Retomando o cabeçalho  de uma antiga coluna de opininão no Independente, o CDS -PP não é um partido conservador, antes pelo contrário. Dir-se-ia mais: se não conserva, para que precisamos dele?



* As Force  françaises de l'intérieur, na libertação de Paris.  Faziam muito  espalhafato e foram alcunhadas de  "les fifi".
E, FORÇOSAMENTE, A  VACINA?*


Isto é forçosamente grave.
A propaganda gay  é  um vírus de transmissão forçosamente oral. Em qualquer lado os nossos filhos  estão forçosamente vulneráveis.
As figuras públicas têm forçosamente um dever de exemplo.
As máquinas de distribuição do vírus devem ser forçosamente banidas dos cafés e dos bares.
Nos cinemas, por exemplo, as pipocas devem ser forçosamente distribuídas em contentores selados.
No futebol, os jogadores deviam voltar a cumprimentar-se com um forçosamente caloroso ( e vigoroso...) aperto de mão, como no tempo da URSS.


* forçosamente alertado via.

 



segunda-feira, 9 de abril de 2012

A VIDA COMO DEVIA SER (IV):

O vira-casacas é um podengo obstinado na perseguição, mas hesitante quanto ao coelho a perseguir.
A VIDA COMO DEVIA SER(III):

Um bom casamento ( hetero, gay ou cyborg) tem guerra na cama, democracia  na mesa e comunismo no banco.
A VIDA COMO DEVIA SER (II):

Educar uma criança tem três regras: insistir, insistir, insistir.
A VIDA COMO DEVIA SER (I):

A mulher ideal tem a graça de uma garça, olhos de toupeira, pernas de gafanhoto e o carácter de uma cadela no cio.

domingo, 8 de abril de 2012

WHAT'S NEW PUSSYCAT?

Velho
Gunter Grass, escritor, alemão,  acusa Israel de ser a causa dos males do mundo.
Novo
Israel substitui judiaria e já não amocha com a mesma facilidade dos  últimos sete séculos   (desde Breslau).
TEORIA (XV):


Manuel José Othón tem duas publicações póstumas. Em Noche  rústica de Walpurgis ( 1907) não foge, do pouco  que li, à síntese rebelde  entre classicismo,  modernismo e romantismo. Tem coisas boas - las muchachas de la azul cisterna, mas esperáveis. Em El himno de los bosques ( 1908), o caldo apura. Veja-se esta fórmula histórico-religiosa:

Y endulzo el amargor de mi ostracismo
con miel de los helénicos panales
y en la sangrienta flor del cristianismo.

Necessita de  três versos inteiros para dizer  o mesmo  que o mais-que -tudo Cristopher Hitchens consegue  nuns meros   milhares de páginas.
JÁ NÃO O CONHECEM:

Agora que Chávez se submete a  Cristo, os esquerdinhas revolucionários  europeus e norte-americanos  já não lhe ligam patavina.
Na mentalidade revolucionária exite uma hierarquia, verdad?

sábado, 7 de abril de 2012

LEÕES HUMANOS:

"Perto de vinte moçambicanos que supostamente se dedicavam a caça furtiva foram mortos por fiscais do Kruger Park na África do Sul nos primeiros três meses deste ano.
As vítimas foram mortas no interior daquela área de conservação durante a tentativa de abate de algumas espécies faunísticas.
Segundo o administrador do parque nacional do Limpopo, os supostos furtivos mortos introduziram-se no Kruger Park a procura de rinocerontes e elefantes para fins de extracção de troféus.
Dados em poder da Rádio Moçambique indicam que os caçadores furtivos abateram, durante o período em referência, cerca de 140 rinocerontes, nos Parques Nacional do Limpopo, em Moçambique, e Kruger Park na África do Sul.
Baldeu Chande disse que a maioria de pessoas envolvidas na caça furtiva são jovens que atravessam a fronteira munidas de armas de fogo, movidas pela ganância de dinheiro resultante da venda de troféus".

Os fiscais de caça do Kruger são polícias, juízes  e carrascos. 

fonte: Rádio Moçambique

sexta-feira, 6 de abril de 2012

A CONSCIÊNCIA E A FUNÇÃO:

Quando a matéria é fracturante, vota-se sem problema, em consciência. Muito bem.  Já quando a matéria é  de outro tipo de fractura ( Adolfo Mesquita Nunes  é, ou era, advogado de uma empresa envolvida  nas privatizações), sai-se de cena por imperativo ético.  Também parece muto bem.
Demasiado bem.
Por que motivo a consciência de um deputado só funciona  numas matérias e não noutras? Não me refiro, naturalmente, à não participação de ADM em decisões que  afectem o escritório de advogados , via empresa em causa, ao qual está vinculado. Refiro-me ao quadro global: por que razão ADM aceitou fazer pare de uma comissão que , como o próprio ADM admite, poderia vir a obrigá-lo a suspender as suas funções de comissário?
Podem dizer-me: e por que não? Posso perguntar : e por que sim? Há muitas comissões e se ADM  sabe votar,  em consciência, matérias de costumes, também  saberia acompanhar, doutamente, assuntos de outra natureza ( lavoura, negócios estrangeiros etc), com a vantagem de o poder fazer a tempo inteiro.
E POR FALAR GRECO... QUENEAU:


On s’amuse bien dans notre petit village
on va bâtir une nouvelle école
on va élire un nouveau maire et changer les jours de marché
on était au centre du monde on se trouve maintenant
près du fleuve océan qui ronge l’horizon
Un poème c’est bien peu de chose.

( L'instant fatal)

Juliette Greco : Déshabillez-Moi **à toi Miaw**

quinta-feira, 5 de abril de 2012

INTEGRAÇÃO CULTURAL:


"25-year-old student Waqas Sarwar will not allow the minority to scare the majority into silence. He speaks out against the Facebook group called “Demonstration: Norwegian troops out of Afghanistan”, that calls opponents “Infidels” and praises suicide amongst American troops".

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A BERLIM ROSA:

Se a politiquice, dos passarões e da histeria*, interessa tanto como pulga na cama, já a descida de uma cortina de ferro sobre o PS é inquietante. Uma liderança eleita há meses  e já em apuros, um ex-líder auto- exilado e calado, um PSD que governa em splitting esquizóide : o que é mau é da troika, o que for bom é nosso.
Pode dizer-se que o barulho é apenas do grupo parlamentar escolhido pelo anterior chefe. Isso pouco importa se a consequência for a sectorização do partido. A Berlim rosa ficará assim  dividida em sectores. o socrático, o (in) seguro, o franciscano ( de Assis)e o sebastiânico ( de A. Costa).
Também pode dizer-se que é dos livros dos primeiros anos de oposição. É verdade, aconteceu o mesmo no pós-Soares  e no pós-Cavaco.  Uma diferença, no entanto, brilha estelífera:a sectorização depende mais  do resgate do legado da herança anterior, que aparece como um dogma, do que da simples luta pelo poder.
Como é evidente, essa diferença vai obrigar o partido a virar-se para dentro. E nesta altura  isso é muito aborrecido.


* Ver aqui. Sem dúvida. E há mais. Usam o PS como barriga de aluguer, numa espécie de procriação politicamente  assistida.

ESTOU A LÊ-LO:

Agradará a todos: aos anti-sionistas e aos bons.
Rumkowski é um personagem fabuloso.
EDL:

Não resisti à provocação de  colocar o último vídeo: vê-se uma bandeira de Israel. 
Já sabemos que só  a extrema-esquerda, que ainda hoje  ostenta bandeiras do fundador das ratoneras cubanas, que nunca reconheceu a vergonha do  mais longo e terrível e regime político da História moderna e que odeia  a democracia burguesa europeia,  tem direito à  indulgência e à adoração mediáticas.
Pois penso que devemos ouvir e ler estes tipos da EDL. A minha biblioteca também tem quase todos os torcionários letrados comunistas.

EDL - Danish Defence League Speech at the Aarhus Demo (Today 31-03-2012)

EDL demonstration in Aarhus - Interview with EDL supporter Roland Holzap...

terça-feira, 3 de abril de 2012

TEORIA (XIV):

Meister ( Haspe, 1911) morreu em 1972 e é considerado  próximo de Celan. Traduzido por Jean Boase-Beier:

Evening comes
and I –
weighted with being human –
walk up
and down.

Que é difícil e filosófico. Sim, não fala de  foder muito  nem de aves ressequidas. Vamos ao seu amigo Celan, traduzido por Hamburger, também curto e grosso. De Atemwende ( 1967), o pequenino Bei  Tag:

Hare's pelt sky. Even now
a clear wing writes.
I too remember,
dust-
coloured one, arrived
as a crane.

A poesia explica o que não precisamos. Um céu cor de lebre e um tipo farto de ser  humano. Para cima e para baixo, grua de pó. É  a tua vida como não tens  coragem de a imaginar.

TRIPLETOFOBIA:

A CNECV vai dizer*, amanhã, que qualquer casal pode ter filhos: feitos em máquinas, em úteros alugados ou ao natural, como as ostras. Atenção: casal ( os individuais já podiam), porque os tripletes ficam fora disto, apesar de eu não conhecer nenhum estudo que indique que uma criança criada por dois pais e uma mãe , ou por três mães, é mais burra ou maltratada do que uma criada por um casal ou indíviduo sozinho.
A exclusão dos tripletes é, certamente, uma herança  judaico-cristã, herança essa que, no entanto, esquece  a Santíssima Trindade: o Filho terreno criaria um filho com  a ajuda do Pai e do Espírito Santo.

* Ou seja, que o projecto apresentado  por PSD e CDS não fundamenta nada. Deve ser bem verdade.
MAIS "MALUQUINHOS":

"Television channels showed images of the early morning raids, with agents from the RAID police commando unit and anti-terrorist specialists bashing down doors, smashing windows, and taking suspects away handcuffed and with their faces covered.

Five rifles, three Kalashnikovs, four handguns and a bullet-proof vest were seized in the operation, Gueant said.

A police source said about 20 people had been arrested in Toulouse in the southwest, Nantes in western France and also in the Paris region and the southeast. Sarkozy put the number of arrests at 19."

domingo, 1 de abril de 2012

A TEORIA DO CASO ISOLADO:

Sou  de Coimbra, fiz teatro universitário, política ( lista independente), ajudei a revitalizar o ETC, tertúlias imensas, copos à larga, não me deitava antes das cinco. Nunca enverguei a bata de pinguim, vivi em absoluta liberdade.
O que estes idiotas fazem é tornarem-se mais idiotas do que já são, para alegria dos espreme-miolos.
"NADEFESA DA LINHA CORRECTA":

Foi eleita como independente e agora quer demitr um militante do PS. Na defesa da linha correcta, claro.
O fanatismo deslumbrado e auto-promocional é sempre divertido enquanto não se lembra de nos querer governar.

UMA CAMPANHA DE VERDADE:

-Queria meia verdade se faz favor.
-Pode levar duas pelo preço de uma.
-Então prefiro levar uma mentira inteira.
-Leve esta. Engordei-a antes dos votos.
-Já está um bocado tocada.
-É do uso. Até se mastiga melhor.

LIGA LIVRE (III):


"(...) acarinhemos aquela empresa que tanto posto de trabalho criou por esse país fora.
Antecipo já a lógica utilitarista dos advogados da causa (uma lógica sem cor política): é um grupo português; é uma empresa que está muito barata; financeiramente é muito bom para a CGD, etc. Já vamos conhecendo a lógica, bem como as suas personagens: ou ainda acham que o Sócrates fez tudo aquilo sozinho?"

A  lógica que o autor  do texto menciona é territorial e geográfica. O corpo de gestores, decisores e ex- governantes que enxameia estas empresas tem sempre um local de partida: o governo. Pode parecer que o teritório e a geografia não riscam nada aqui, mas é  o contrário.
O centro lisboeta, e hoje falamos do centro administrativo, reivindica a sua legitimidade pela via eleitoral. Sabemos que essa legitimidade eleitoral , por sua vez, nasce  das promessas feitas  pelo partido  às suas delegações regionais. E sabemos que essas promessas assentam na futura distribuição  dos dividendos  que  o partido, uma vez no governo, se encarregará de cumprir. Pelo meio, delegados flutuantes e transitórios entre empresas  geridas pelo Estado e partidos que gerem o Estado. Tudo central.




sábado, 31 de março de 2012

CONSERVAS  TENÓRIO:

E assim, a direita conservadora, patriótica, simbólica, carlyleana, desaparece a mando de um banco estrangeiro.

sexta-feira, 30 de março de 2012

"TRIPLAMENTE MARGINALIZADA":

Como dizia Kraus, se  a tolice for  igual , o que faz a diferença é a massa corporal: um idiota não deve ocupar muito espaço.  Vem isto a propósito de mais uma preguiçosa peça  de um jornalista cultural, desta feita  o obituário de Adrienne Rich, no Público de sexta-feira, secção "cultura".
Diz o jornalista cultural: " Triplamente marginalizada enquanto mulher, judia e lésbica",  "Assumidamente lésbica , numa altura em que a homossexualidade era amplamente condenada (...)". Não sei se leram o post aí em baixo sobre  Natalie Clifford. Era muito marginalizada. Tanto que escreveu e publicou toda a vida.E as suas amantes foram  também muito marginalizadas: divertiram-se, escreveram e pintaram toda  a vida.
A repetição desa vulgata pode servir a agenda LGBT, mas não serve , de certeza, o jornalismo cultural.
É DIFÍCIL MANTER  A COMPOSTURA.

quinta-feira, 29 de março de 2012

L'IMPÉRATRICE DES LESBIENNES:



Era a alcunha dela, a senhora Natalie Clifford. A milhas das lésbicas lusas de hoje.
Escritora  prolífica, odiava   a monogamia, mas manteve uma relação de 50 anos ( com mais intervalos do que buracos no queijo)  com a pintora Romaine Brooks.Tinha um salão em Paris e papou muitas mulheres. Tudo às claras. Recebia no número 20 da Rue de Jacob, uma casa descrita por Radcliff Hall em The Well of Loneliness. Uma  outra lésbica famosa, e activista, Mercedes Acosta, levou-lhe ao salão Greta Garbo*. Cocteau ia lá comer  sanduíches de pepino.
Nunca quis saber de casalinhos LGBT com filhos e passeios aos domingos, tatuagens e histerias. Gostava de Paris  e dizia que em Inglaterra nada há destinado às mulheres, nem sequer os homens.
O cão é um bulldog francês, um Pug.



* cortesia Artemis  Cooper
NO TENDIDO.
 ANÁLISE COMPARATIVA:

Como dizia  Said, é sempre bom viajar nas culturas de forma transversal e não no modo hierárquico. É  delicioso verificar como Fernandes, depois amplamente citado, fingiu não perceber o que é, na mente de um integrista,  o assassínio de traidores do Islão:


E agora:




quarta-feira, 28 de março de 2012

TEORIA (XIII):

Os excessos podem ser perdoados, mas para isso tem de haver   contradição. Conta Artemis Cooper que, em 1946, durante a Conferência de Paz de Paris, sob  o trauma nuclear, os  proxenetas abordavam os conferencistas oferecendo  amour atomique.
Cesário, num poema publicado no Diário da Tarde ( Porto, 1873),  vai até à linha de fundo, ( dispensava-se a dissecação)  mas o centro ( o saber livresco como padrão) é que sai torto:

Teus olhos imorais,
Mulher, que me dissecas,
Teus olhos dizem mais
Que muitas bibliotecas.

Os olhos imorais são excelentes. Não há nada mais imoral. Hoje, qualquer  artista rameira se despe nos jornais e é tudo um  longo bocejo.

terça-feira, 27 de março de 2012

LIGA LIVRE (II):

Uma regionalização não serviria para nada. Seria apenas o prolongamento das formas de dominação burocrática a partir de novos centros. Não por acaso, quase todos os que  a defenderam, nos últimos anos,  estão agora satisfeitos em Lisboa ou endividados a Lisboa. A única regionalização possível nascerá de partidos locais. A seu tempo.
Em certas situações, as classes sociais separam-se dos seus partidos tradicionais. Este divórcio reforça o poder  da burocracia civil, da alta  finança, da Igreja e, em geral, de todos os corpos relativamente independentes da flutuação da opinião pública ( Gramsci, Quaderni). A crise de autoridade que se abre  faz com que a classe  dirigente  tradicional* reabsorva o controlo  - talvez faça sacrifícios e se exponha a um futuro incerto através de promessas demagógicas, mas retém o poder e usa-o para esmagar  os seus adversários e dispersar os seus melhores quadros  ( Gramsci, Quaderni). 
É vantajoso verificar como a descrição  não está desactualizada. O exemplo português pode ser bispado em muitos  pontos  - o leitor que  interprete como quiser.  O que me interessa é constatar como  a centralização - o cesarismo gramsciano - floresce nestes tempos.
Os media, por exemplo,  são uma peça fulcral no controlo centralista e um dos tais corpos independentes da flutuação  da opinião pública. Por irónico que seja, ela é alheia aos critérios editoriais, à dança de directores, à filiação partidária, ideológica e simbólica  dos jornalistas. Os principais  telejornais dão o prime time  à visão lisboeta  ( ou proto-lisboeta, no caso do Porto) da realidade ( vg o exemplo da recente greve geral).
No plano cultural, em sentido lato, a coisa  é igual. A abordagem de questões de costumes, do impacto de políticas do quotidiano ou da agenda espectacular, é sempre feita sob a batuta  da classe central dirigente. Em certas matérias, esta deixa caminho  livre ao cesarismo rive gauche extraído das escolas  de sociologia e de comunicação social lisboetas. É por isso que  certos temas parecem ser graníticos - LGBT, Palestina etc - e outros de esferovite - a segurança, o narcotráfico, a solidão dos fracos  e velhos. 

( cont.)

* O exemplo dos deputados-filhos-de-políticos que saíram  da escola directamente para o parlamento, os velhos senadores que dizem uma coisa com o chapéu de político e outra  com o de administradores etc.

Loudon Wainwright III - Carrickfergus

DO LOMBO:

Aí em baixo têm uma pequena conferência de Esposito. Três livros, um tríptico - comunidade, imunidade e biopolítica. Como e quando uma política de vida produz morte? Recuperemos a pergunta  para o ecossistema político  português, essa coisa sobrada da decomposição da crise: o salvador, o PSD passista, transmutou-se no executor. Sai-nos do lombo, diz o comunicador.  Eu diria mais: sai-nos o  lombo todo ( e a agulha, o  jarrete,  a rabadilha etc).
Esta comunicação é nutante, impedindo uma identificação do desejo do falador. Quer-nos mal para o nosso bem, porque  as promessas e as certezas da campanha foram  enterradas sob a bandeira  da crise que não existia.

Roberto Esposito - Cultura, nazione e Stato

segunda-feira, 26 de março de 2012

DA NEGAÇÃO:

Em Uma neurose  demoníaca no século XVII, Freud discorre sobre  o demónio como substituto do pai:  um indivíduo que deprimiu depois da morte do pai cai em tal melancolia que acaba por  eleger o demónio como substituto do pai amado. 
Sócrates  encaixa neste perfil para o Correio da Manhã e para alguns bloggers/agenciados/comentadores, mas não merecia ser gozado por um indivíduo como este. Caramba, na caça ao lobo não participam caniches.

domingo, 25 de março de 2012

O EPISÓDIO HOLANDÊS:


Ponto prévio: 
As castrações datam de 1956. Outros episódios  agora  conhecidos datam dos anos 60. Uma pessoa fica  a pensar por quanto tempo continuariam nas catacumbas se Ratzinger não tivesse sido  escolhido. Dito de outro modo, há mais gente  a usar o sofrimentos  das vítimas do que parece. E sim, os ratos de sacristia costumam  dizer nos blogues que isto é conspiração da judiaria internacional contra o Papa.

O osso:
 A repressão sexual, já ensinava o velho Sigmundo,  desenvolve taras. No entanto, como a pedofilia moderna -  electrónica ou real,  e muito mais próxima de nós  do que alguns imaginam - também ensina, a libertação sexual não nos livrou delas. Em que ficamos?
A visão clássica é que somos umas bestas domadas. Sob certas condições - genéticas, ambientais, toxicofílicas etc - a besta reaparece. Essa é a visão do Freud tardio. A escola tardo-moderna, para a chefia da qual podemos  nomear Margaret  Mead e W. Reich, declarou que  a culpa das taras é exclusivamente da civilização capitalista apoiada na repressão sexual burguesa. Em cima do bolo podemos  assentar a teoria da sociedade criminógena: a superestrutura social é sempre responsável pelos crimes individuais.
A repressão causa taras, a libertação causa taras. Conclusão: as taras são inevitáveis. A violência sexual sobre crianças,  exercida pelo padre ou  pelo trolha, é sempre violência sobre o mais fraco. O revestimento sexual impressiona-nos, mas é um erro de análise. Ela é igual à exercida sobre a velhota que foi ao multibanco, sobre o taxista indefeso ao volante, sobre o estudante que recusa um cigarro.
As crianças não têm dinheiro nem bens, por isso a violência sobre elas é, de ordinário, sexual. Se conseguirmos deitar fora  a tralha ideológica que desculpa as outras violências sempre em nome das desigualdades e da pobreza, conseguimos compreender por que motivo a repressão sexual e a libertação sexual não mexem uma palha neste assunto.

sábado, 24 de março de 2012

OBRA DE UM MALUQUINHO, IRMÃO MALUQUINHO, TODOS MALUQUINHOS:

Todos  fichados, velhos conhecidos, islamitas fanáticos, soldados  franceses mortos, quatro  judeus abatidos: tudo coisa de maluquinhos
Vendo bem, nada de novo: o 11/9 foi executado pela CIA, Atocha foi encomendado por Aznar, etc.

sexta-feira, 23 de março de 2012

LIGA LIVRE (I):

Há cinco anos. Polícia, cargas, bastonadas, Rossio-Chiado, Lisboa. O défice cognitivo , o espírito de Jota e o de claque estão de tal maneira que já não se pode pensar: agora são os socráticos que clamam fascismo!, ontem era Sócrates que A. Barreto não sabia se seria fascista.
E é pena que  meia dúzia de jornalistas e senhores professores analistas- os teleguiados e os seus chefes de fila soixante-huitards -  apoiados nos pequeno-burgueses do bairro Alto, que fazem sempre o mesmo com crise ou sem crise, com chuva ou sem ela,  sequestrem uma greve geral e nacional.
Os señoritos portuenses do PSD, agora instalados em Lisboa,  esqueceram a regionalização ( o Vasco Lobo Xavier, em conversa que  suportámos  faz uns meses,  preconizava isso mesmo). Não faz mal, porque a que eles queriam eu não comia nem de cebolada. Pretendo alinhavar outra coisa, sempre com a certeza de que será inútil e sem efeito. Como gosto.
A partida é esta: já que a crise serve para tanta coisa, então que sirva para nos livrarmos do jugo centralista-lisboeta, mas de um jugo que é um arquivo completo e não se limita à centralização da distribuição de dinheiro e decisões administrativas. É também cultural, mediático, mental e simbólico.


quinta-feira, 22 de março de 2012

SEMPRE ÀS ORDENS:

O que a TSF 15 deOUTUBRO não diz é sobre "as altercações"  entre a GCTP e os meninos 15 de Outubro, mas pode ler aqui ( não se incomode com o "renato", que é meco muito amigo de violência, pelo menos no teclado).

Adenda: quanto às imagens que "correm mundo" ( da carga policial), são filhas únicas: não existem as dos incidentes relatados pela TSF, em que dezenas de pessoas sentadas numa esplanada começaram  a levar com calhaus  15 de Outubro. Claro.
O COMUNICADO DO ANO:

Ainda hoje não entendo como gente tão meticulosa pagava facturas de outros por engano.
ESCRITA CRIATIVA*:

Porque os militares mortos eram magrebinos, o tipo é um louco. Ah sim? Os polícias afegãos que  morrem diariamente  às mãos dos taliban são  o quê? Supercaucasianos? Não havia negros nos aviões do 11 de Setembro?
O abate de pencudos, então pequenitos,  suscita sempre muita criatividade e distracção. Já no passado foi assim.

*adenda: aqui há mais dessa., via LMJ.
OS VIPÉREOS:

Sim, já aqui trouxe ( embora retirado do contexto) a descrição que Gramsci  fez dos chefes sindicais: banqueiros de homens em regime de monopólio. Sim, sabemos  que Arménio Carlos tinha de se afirmar. Falta o resto.
Quanto mais não fosse,  por vergonha, os hoplitas mediáticos  e bloguistas deviam abster-se de graçolas. Não sou empresário nem sindicalista, a minha visão da crise é  a das pessoas que se vão abaixo  física  e mentalmente. 
Na consulta, vejo homens e mulheres  que já não conseguem foder,  que já não têm paciência para os filhos, que  perderam a pouca confiança que ainda tinham.  A minha crise é de pormenores: raivas antigas que voltam à superfície,  carros que são devolvidos,  gente crescida que parte para Inglaterra e deixa o amor para trás.
Se querem brincar, comprem lego.
POLÍTICA DE ARTE:

A SEC anunciou entrada livre nos museus e nos teatros para quem estiver desempregado. Não vi nem ouvi comentários à decisão. Devem ter ficado indecisos. Por um lado, apeteceu-lhes dizer que o governo faz caridade cultural com os pobrezinhos, por outro devem ter ficado receosos de criticar uma medida destas em tempos de crise. É a esquerda-desejante que temos.
A ideia é boa. Temos uma estética   no sentido original  de Baumgarten, que a recomendava , nos Prolegómanos, para  a vida quotidiana: uma experiência  do sensível, daquilo que pode ser apreendido por todos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

O LOGRO:






Estes meninos com um discurso Badiou/BossAC não são os que têm lerpado o nem os que mais vão lerpar. Estes meninos são como os dirigentes de futebol ,  dizem o memso há  anos, como podem consultar em qualquer plataforma anarca. Acontece que agora têm mais pretextos.
Os que de facto têm lerpado e vão continuar a  lerpar -  os operários de fábricas que fecharam e que os meninos anarco-lisboetas nunca  visitaram, as cabelereiras,  as secretárias de gabinetes de arquitectura, os comerciais de centenas de pequenas empresas que faliram - , esses têm mais  que fazer do que brincar ao Maio de 68.
Se  e quando se revoltarem, estas brincadeiras burguesas vão parecer o que são: brincadeiras burguesitas..
TEORIA (XII):

A poesia serve para esconder a realidade enquanto  a usamos. Mostrá-la é fácil, negá-la é divertido.  
Quando Pascoaes perorava sobre o encantamento infantil necessário ao poeta -  coisa muito próxima do conceito psicodinâmico de João dos Santos, que dizia que um homem tem de manter a ingenuidade infantil de se deixar encantar -, alguma coisa se aproveita. 
Pois penso que  se  um garoto agarra numa pá e num balde e vai sozinho para uma zona  sossegada da praia e inventa armas, exércitos e trincheiras, está nessa operação. A areia , os pais, a pá, o balde, tudo desaparece. O mecanismo: enfiamos o real no bolso e no lugar dele desenhamos, mas ele está lá sempre, como a praia e os pais.
Ora então um bocadinho magistral  de "Noite Fechada" ( in O Sentimento de um Ocidental, 1880), do mestre Cesário Verde:

Duas igrejas, num saudoso largo,
Lançam  a nódoa negra e fúnebre do clero.

terça-feira, 20 de março de 2012

QUANDO PATO ESTÁ DE LUTO, O PRETO FUMA CHARUTO*:


A melhor parte é  a dos comentários:  a homofobia desta campeã do feminismo é uma herança colonial.
Ou seja, tudo o que é bom, inclusive o feminismo, é deles  ( sim, o feminismo é uma tradição swahili, bijagó, kikuyu etc), tudo o que é mau é nosso.
Não admira que enfiem barretes.

* copyright by Eduardo Batarda
ESTRANHO:

Fiquei imediatemente do lado da Susan Sontag.
O COMPLEXO DE  BERNADOTTE:

Jules Bernadotte. Anti-monárquico súbito, depois ferrenho, acabou rei da Suécia, para espanto da Dieta e de Napoelão.
Há alguns em Portugal. Comunistas ferrennhos que hoje dissertam , em tom negligente, sobre as evidências da alta finança; maoístas que já só sentam o traseiro  em máquinas para cima de 100.000 euros; bajuladores  que ontem eram acusadores espumosos da mesma pessoa; conservadores  securitários agora convenientemente distraídos  da ladroagem;  cronistas que viam em Sócrates um Béria  amordaçante da  imprensa livre e hoje assobiam afinadinhos.

domingo, 18 de março de 2012

DUAS  ACHEGAS:

Às crónicas  do  meu estimadíssimo  cavaleiro Pedro.

1) Na perspectiva psi:

Uma das ideólogas LGBT, uma das  históricas e das  melhores, Eve Sedgwick*, detestava um artigo de Friedman sobre o Core Gender Identity ( CGI). Basicamente, Friedman entendia que um rapazito efeminado desenvolvia  a sua identidade  gay se outros homens não o vissem como suficientemente masculino.  Eve Sedgwick abominava esta interpretação, porque, se Friedman tivesse razão,  uma proto gay childhood ( termo dela) estaria sempre dependente da forma como  os pais ( ou os caretakers)  percebessem  o CGI . Resta que Friedman não foi expulso de lado nenhum, é um académico respeitado e editor-chefe ou co-editor de várias revistas  de psiquiatria e psicanálise.
Sedgwick, que argumenta e escreve de forma impecável, esconde, no entanto , outro jogo. A pressão actual para a parentalidade gay pode ser vista como uma maneira de ultrapassar as conclusões de Friedman: afinal não estariam  tão erradas como isso, ou seja, afinal  é preciso  dar uma ajuda  ao desabrochar correcto da proto gay childhood. Pais, ou caretakers, do mesmo sexo podem funcionar como agentes provocadores-gay.
Pergunta : isto é mau ou perigoso? Do meu ponto de vista não sabemos ainda o suficiente para responder. Nestas coisas é preciso manter a cabeça fria e ignorar o lado militante dos ideólogos LGBT. Na minha prática clínica tenho bastos exemplos  de pessoas que seriam hoje mais felizes se não tivessem sido pressionadas ( social e familiarmente)  para não serem homossexuais. Por outro lado,  o tal estilo militante ( por vezes fanático) inspira reserva: as crianças não são arquivos imperiais, para utilizar um  autor gay friendlly como Edward Said.

*"How to bring your kids up gay", Social Text No 29 ( 1991).

2) Na perspectiva política:

Diane Richardson tem um artigo muito bom sobre  a questão da assimilação. A autora passa  em revista os  modelos de afirmação LGBT: o  subversivo, depois o  contestatário ( os manifestos londrinos dos anos 70  de ataque à a família tradicional) para , finalmente, analisar o normal gay. E o que é o normal gay, perguntam os  meninos? É o gay, no dizer de Richardson,  que "junta amor a sexo", que adopta a moral sexual burguesa que constitui uma ligação familiar  monogâmica,  que cria os  filhos em paz. Como qualquer outra família tenebrosamente  burguesa.
Sempre  escrevi nesta linha: a ideologia LGBT acabou por descobrir que a melhor forma de assimilação é e a adopção da norma comportamental sexual-familiar  maioritária. É delicioso constatar, como no artigo citado,  que afinal, grande parte da identidade política LGBT  cedeu. Acontece que  isto levanta outras interessantes questões que muitos autores LGBT , como Richardson, abordam e com razão: a da  cidadania. A partir de que ponto, politicamente falando ( outras, muito importantes, ficam para depois), podemos excluir os gays e lésbicas normais