quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

PROGRESSO CIVILIZACIONAL:

Não eram travestis nem artistas, não terão direito a marchas de indignação nem tempo de antena.
Não eram nada.

7 comentários:

Carlos Azevedo disse...

Acho que percebo o que quer dizer (embora o problema seja o silêncio nestas circunstâncias, e não a ausência de silêncio nas outras). Mas, o que me chocou (para além das mortes nestas circunstancias, que começam a ser um hábito) foi um comentário à notícia de alguém que se queixava da ausência de assistentes sociais. Ora bem, é evidente que os assistentes sociais são necessários, mas quando as pessoas não perguntam pela família, pelos amigos, pela vizinhança (pode não existir nada disto, mas isso é algo que se apura ‘a posteriori’), enfim, estamos mesmo a caminhar para algo muito mau.

FNV disse...

Carlos,
a questão do ruído não é assim tão irrelevante: determina, na caverna mediática, quais os assuntos meritórios e quais os outros.
No resto concordo consigo, mas a família tradicional morreu ( para alegria de muitos), está morta.

Carlos Azevedo disse...

Filipe,
No que concerne ao seu 1.º parágrafo, estou de acordo consigo. Simplesmente, acho que o facto de um assunto ser, digamos assim, meritório, não tira o mérito a outro -- embora sejam abordados muitos que não são meritórios e deixados de lado outros que são extremamente relevantes (olhe, pega neles o Correio da Manhã, que é o jornal mais lido do país, e os jornalistas de jornais ditos de referência -- ahahah -- bem podem berrar que as coisas continuam a ser o que são).
Quanto à família tradicional, não sei o que engloba nesse conceito, mas a mim tanto me dá que a família seja um casal de lésbicas, de homossexuais ou até uma relação a três; desde que cumpra o papel principal de uma família -- apoiar, estar presente quando é preciso --, parece-me uma família perfeita (aliás, quantas pessoas há por aí que casaram tradicionalmente, procriaram e agora estão sós, tão sós no mundo que até desejam morrer o mais rapidamente possível -- mas isso não me deixa alegre, bem pelo contrário).

(e desculpe-me maçá-lo com tanto texto)

FNV disse...

ora essa não maça nada, só os seus dedos.
Quando me refiro a família tradicional não penso só no papai-mamãe-dois filhos, penso em mais largo_ várias gerações, proximidade, etc

Anónimo disse...

FNV,

Está sempre a usar os homossexuais, as lésbicas, os travestis, como exemplo de causa que se tornou dominante e, de certa forma, privilegiada no espaço público. Sou homossexual e vivo no real, não na blogosfera. Sou um homossexual que não corresponde, nas características exteriores, ao que se entende geralmente por homossexual e as pessoas (que não são piores pessoas do que eu) não se retraem ao pé de mim, porque me julgam um dos "seus". O gozo, a humilhação dos homossexuais é permanente, ainda mais agora que, tendo-"lhes" sido dados "os direitos", parece haver maior liberdade mental para a manifestação do preconceito (estão só a "brincar", não estão a "estragar a vida" a ninguém, carago). 99% destas pessoas nunca conheceu um casal homossexual com uma relação estável, apenas suspeitam de, detectam, descobrem homossexuais entre homens efeminados e mulheres masculinizadas com os quais se relacionam e tecem sobre eles fantasias de cus e flores. Isto é onde moro, uma terra pequena mas do litoral e que se julga moderna. Essa hegemonia LGBT de que fala tantas vezes, não sei onde está. E se está algures, não está de forma tão clara ou generalizada que justifique que a use com tanta frequência como muleta retórica.

E só escrevo isto aqui porque estou seguro da sua recta intenção. Caso contrário, não me daria ao trabalho (escrever em caixas de comentários sobre causas gays... tão 2006).

Obrigado
José

FNV disse...

Caro José,

A hegemonia é comunicacional, mediática, e não é exclusiva da causa LGBT ( basta ser de Lisboa e próximo de jornalistas).
Se uma destas mulheres fosse uma lésbica paralítica que morreu sozinha em casa porque à amada tinha-lhe sido confiscada a chave de casa por um parente ( da outra) homofóbico ( seria sempre assim que seria descrito), quer apostar como caía o Carmo e a Trindade?

Trabalho há muitos anos com pessoas que vivem( ou relacionam-se) com pms, tudo é natural para mim. Mais: a morte da família alargada E tradicional não tem nada a ver com o casamento de pms.
Já o escrevi e publiquei.

Rui Felício disse...

Filipe,
Na sociedade a questão LGBT é amplamente ignorada como se fosse lepra, e nos jornais, que leio diariamente, também não vejo essa hegemonia comunicacional de que fala. Só esta semana, vi várias notícias e documentários sobre pessoas idosas vivendo sozinhas, ora sobre os riscos da criminalidade, ora sobre a solidão. Eu não me lembro nos últimos tempos de qualquer notícia sobre lésbicas, paralíticas ou não, abandonadas ou maltratadas em Lisboa ou em Trás-os-Montes. E se as famílias tradicionais já abandonam agora os seus, imagine com os parentes homossexuais e também sabemos que todos os dias há pessoas homossexuais humilhadas e maltratadas e isso nunca se chega a saber. Acho que não temos de nos preocupar muito com o excesso de notícias sobre os homossexuais.